22 Maio 2011
APRESENTAÇÃO
Esta modesta obra é uma narrativa verídica e análise de atos e fatos, referentes a arbitrariedades praticadas contra o autor, advogado, contra seu filho Policial Civil e contra seu afilhado, Policial Militar - e contra outros, que estiveram nas prisões ou que ainda lá se encontram. É uma demonstração evidente daqueles atos criminosos, como falsidades e torturas, que soem acontecer nos bastidores policiais, judiciários e principalmente no sistema carcerário de São Paulo, pela truculência e venalidade de alguns poucos policiais, carcereiros, funcionários e Agentes de Segurança Penitenciária (antigos Guardas de Presídio), mal instruídos, acobertados por uma minoria partícipe de alguns maus Promotores de Justiça e maus Juizes. Todos, prepotentes e destituídos de qualquer respeito à Lei e de um pouco de bom sentimento para com seu semelhante, arvoram-se em donos da verdade e dos processos, intocáveis. E tudo fazem para transformar o homem em animal irracional, que, ao invés de ser recuperado, para sua volta à sociedade, dela se torna inimigo, até perigoso, diplomado pelas Escolas do Crime, revoltado mais pelo ódio que se lhe incute, em razão dos maus tratos a que é submetido - e a seus familiares - como resultado dos abusos de poder contra os mais simples e naturais Direitos Humanos. Conta também sobre abusos sexuais na II Guerra Mundial quando tropas alemãs invadiram a Polônia e as represálias que eram praticadas pelas jovens violentadas pelos invasores. Narra também a seqüência desses atos, após a luta pela expulsão dos alemães pelos novos invasores, desta vez os rus-/ sos. Tudo isso causou traumas em uma bela jovem polonesa, a qual, ao chegar ao Brasil, passou a viver com muita ansiedade, intensamente, em busca de seu perdido tempo de juventude, a qual, por ganância, chegou a praticar os mais desvairados gestos, até criminosos, assim envolvendo como vítima toda a família do autor, no bair- ro da Liberdade, na Capital de São Paulo, o que autoriza seja a mesma cognominada de A FERA DA LIBERDADE. É também uma prova evidente e inequívoca de que há DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS, e que aqueles que, por infelicidade, passam pelos Distritos Policiais e são neles encarcerados, com determinação judicial ou não, ou presos preventivamente, aguardando julgamento, ou aqueles que hajam sido condenados, sem direito de recorrerem em líber- dade, e principalmente os que tenham sentença condenatória definitiva são, sem sombra de dúvida, verdadeiras VÍTIMAS DO SISTEMA {Policial - Judiciário - Carcerário e até de alguns maus repórteres - que pensam ou dizem ser jornalistas da imprensa falada, escrita ou televisada} Muitos presos, além dos maus tratos a que são sub-metidos, ainda sofrem a angústia da longa espera dos julga-/mentos de seus processos e de seus recursos (quase sempre indeferidos) e ainda a espera dos benefícios legais da progressão de pena e outros (que são negados, na maioria das vezes) e, muitas vezes, esperam a liberdade, continuando encarcerados mesmo depois de terem cumprido suas penas. O descaso para com eles gera as rebeliões e os conflitos com os Guardas, com a Polícia e mesmo com outros presos, resultando, em geral,como é notório, um saldo negativo de feridos e mortos, paraos dois lados. Enfim, quem sofre é a própria sociedade, quepaga seus impostos. Esses maus - Policiais, Promotores, Juizes, Guardas, Carcereiros e Diretores de Presídios - são tumores dentro dasociedade e, como praga ruim, devem ser extirpados. Deixo de mencionar seus nomes com temor de que, como covardes que são, agindo às ocultas, possam fazer algum mal a meus familiares, porque Sei que, em represália, poderão dilacerar minha carne, quebrar meus ossos, tapar minha boca, tirar minha liberdade, mas minha alma não quebrantarão ! Se assim o fizerem, a ponto de tirarem minha vida, meu espírito correrá, livre e solto. E minhas palavras ficarão marcadas, para sempre, para conhecimento de meus pósteros !... Os assuntos aqui tratados servem de alerta para os jovens, para os estudantes em geral, em especial para os estudantes de direito e advogados. E para tantos outros que, convivendo ou não com o direito, desejam ter sua liberdade respeitada. São, enfim, advertência e apelo, dirigidos aos homens de bem, concitando-os a impedirem a continuidade dessas ilegalidades, para que não venham a ser as próximas vítimas do sistema. Manuscrito iniciado em novembro/1993, no Centro de Observação Criminológica, em papel de embrulho e outros. Datilografação feita no Presídio Militar “Romão Gomes”. Digitação iniciada em 23 de outubro de 1997 - 26º ano da morte de meu filho Ludwig, aos seis anos e oito meses, atropelado por um bêbedo, que ficou impune pela Justiça dos homens, bem como por nós foi perdoado. Terminado e levado a registro na Fundação Biblioteca Nacional em 07 de junho de 2.001, sob número 232.280 Livro 409 Folha 440. Aproveito para oferecer-me a fazer palestras em Colégios, Faculdades, Clubes de serviços, Associações, Sociedades de Amigos, Sindicatos, firmas, Igrejas e onde mais existam pessoas que se interessem pelo assunto. As taxas eventualmente cobradas e a arrecadação com vendagem, serão destinadas no trabalho de nossa Missão Evangélica Mundial Monte Horebe, no ensino dos jovens e aos filhos de encarcerados, com assistência material e ensino da Bíblia. O Autor D e d i c a t ó r i a s “Estive na prisão e não me visitaste” Mateus 25:43 Dedico este Livro a meus colegas da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, hoje Ministros, Desembargadores, Procuradores de Justiça, Advogados, Catedráticos, Empresários e Políticos, para que, voltando no tempo, ao período entre os anos de 1957/1961, lembrem-se de como éramos, de nossos ideais de Justiça , que perseguíamos, das batalhas que, como estudantes da Velha Academia, visionários, travamos contra as autoridades arbitrárias, contra os políticos corruptos, enfim, de tudo que aprendemos juntos, formando nosso caráter, pois, rindo, castigávamos os costumes...E para que se lembrem, também, de nosso juramento: “Ego promitto me, semper principiis honestatis inhaerentem, mei gradus muneribus, perfuncturum atque operam meam in jure patrocinando, justitia exequenda et bonis moribus praecipiendis, nunquam causae humanitatis defuturum” Esse mesmo compromisso foi prestado por aqueles que nos sucederam, nas Velhas Arcadas, como em outras Escolas de Direito, hoje também Juizes, Promotores, Advogados, Delegados de Polícia e políticos... Porém aqueles cinco anos já se foram e outros lustros se passaram. Mudaram os tempos, mudaram os costumes, as pessoas e seus ideais. Alguns chegaram até a se corromper. Tudo fizeram para subirem, nas escalas sociais, e para se manterem no alto. E, lá de cima de seus pedestais, não se dignaram a nos dar uma ajuda, por menor que fosse, uma palavra de estímulo, um gesto prestado, de intercessão contra as injustiças que nos estavam sendo feitas. Uns... esqueceram-se da velha amizade, do coleguismo... outros, como os primeiros, nem sequer se lembravam do juramento... Dedico ainda a meus colegas advogados, membros das Diretorias e das Comissões de Prerrogativas e de Defesa dos Direitos Humanos, da Ordem dos Advogados do Brasil - Secção de São Paulo (gestões 1992/1993/1994/1995) e a tantos outros, militantes ou não, que tomaram conhecimento de nossas agruras e, como os supra mencionados, se omitiram. E dedico a esses todos, não como agradecimento, mas com um sentimento de pena, desejando que jamais passem pelo que fomos obrigados a passar, porque, fracos, certamente não poderão suportar. (houve uma única exceção, como falarei, adiante, de um Homem íntegro e amigo...) O Autor
A G R A D E C I M E N T O S E S P E C I A I S
Agradeço a meu Bom DEUS, por haver dado forças a mim e a meus familiares, para suportarmos. Agradeço a Nosso Senhor Jesus Cristo, por haver deixado Sua Palavra e me mostrado o Caminho, por meio de Seus filhos Manuel Areias, Presbítero da Igreja Assembléia de Deus, do Tucuruví, Ricardo Alberto Abruzzio e José Roberto Sadala, Pregadores da Igreja Adventista de Guarulhos, os quais, em deixando seus lares e seus momentos de lazer, faziam um trabalho de evangelização para os presos do Presídio Militar “Romão Gomes”, por meio do qual acabei sendo batizado nas águas, no dia 9 de outubro de 1997, como membro daquela primeira Igreja. A minha sempre querida Edith, que, enquanto abnegada esposa, foi, premida pelas circunstâncias, obrigada a assumir o matriarcado, substituindo nossa pessoa na liderança da família e na condução de nossos negócios. A minha filha e a minhas netas, que apoiavam a mãe/avó, nas visitas que nos faziam, nas prisões por onde fomos obrigados a passar, sujeitando-se elas, como todas as outras mães, esposas e filhas, a revistas humilhantes e vexatórias, em inspeções piores que nos campos nazistas. A meu filho L.R. e a meu afilhado M.L.S., por haverem suportado o sofrimento e a humilhação por que passaram, e, inobstante tudo isso, me haverem dado demonstrações de carinho e afeto, durante certo tempo, por cartas e recados, o que me amparava. Ao Dr. José Marcos Silva, Juiz de Direito e aos funcionários do Cartório do 1º Tribunal do Júri de S.Paulo Aos Exmos. Srs. Juizes do Tribunal de Justiça Militar – Cel. PM Avivaldi Nogueira Junior, Cel. PM Lourival Costa Ramos, Cel. PM Ubirajara Almeida Gaspar, Dr. Octavio Leitão da Silveira e Dr. Evanir Ferreira Castilho Ao digno Procurador de Justiça no Tribunal de Justiça Militar, Dr. Luis Roque Lombardo Barbosa. Aos funcionários do Cartório das Execuções Criminais daquele Tribunal, em especial para Marta Vieira Salles e Carla Pitelli Paschoal Ao Dr. Elio Fernandes Nepomuceno, então Diretor do Centro de Observação Criminológica, (C.O.C.) e a seus auxiliares, Dr. Manuel W. Domingues e Dr. Mauricio Guarnieri Aos oficiais da PM, que serviam no Presídio da Polícia Militar, por me haverem recebido, me tolerado, como idoso, cheio de problemas de saúde e por me haverem permitido que este trabalho fosse passado do manuscrito para a datilografação. E também por me haverem mostrado que ainda há, no militarismo daquela corporação, com moldes à la francesa, comportamento autoritário, para com os que lhes são subordinados, inda maior para com os que estão na condição de presos, o que me ajudou a fortalecer minha humildade e me fortaleceu em meu caráter. Aos médicos do Hospital da Polícia Militar :-Ten.Cel. Pedro Janini Filho, Major Antonio José Eça, Cap. Alberto Duarte, Cap. José Honório Palma, Ten. Renato Castro Sanches Ten.José Celso Ardegh, Dr. Antonio Afanasio, Ten. Paulo Kouiti Sakuramoto, Ten. Dorival Della Togna, e em especial a Ten. Dra. Maria Regina Boeing Costa, que atendia a todos com carinho e dedicação Aos funcionários civís (como dona Lena) e militares daquele nosocômio, principalmente aos que trabalham na U.T.I., onde fiquei por cinco dias, em dezembro de 1995, acometido que fui de um segundo enfarte, no PMRG. Aos Drs. Cesar Andrade e Rubia Rodrigues (HPM), que me atenderam no dia 30/3/98, devido a um ataque cardíaco e para cujo Hospital fui levado de imediato por ordem dos Tenentes Alexandre George Guimarães e João Roberto Scudelari, do PMRG. Ao Dr. Ademar Gomes, que, na Presidência da Associação dos Advogados Criminalistas de São Paulo,(de cuja reunião de fundação tive a honra de participar), soube entender minha situação, quando passei para o regime semi-aberto, e me deu condições de retornar ao convívio de meus colegas e da sociedade, aceitando-me na Secretaria daquela entidade. E ao funcionário Wilson, que me ensinou a operar um computador. A Dra. Tania Bustamante Freire de Andrade, querida colega do Estado do Acre, a quem conheci na ACRIMESP, a qual, em tendo se instalado em São Paulo, ofereceu-me oportunidade de novo emprego, no qual ampliei minhas atividades, usando meus conhecimentos na nobre e difícil profissão de advogado, na defesa de direitos de meus companheiros de prisão e de outros que estavam ou iriam estar no Sistema Carcerário, o que me levou a prosseguir, com um trabalho missionário em favor dos presos do sistema Aos antigos companheiros de infortúnio, presos naquele C.O.C., como também aos presos da Casa de Detenção, da Penitenciária do Estado, do 5º Distrito Policial, do 91º Distrito Policial e do Presídio Militar “Romão Gomes”, por me haverem mostrado nova ótica da sofrida vida carcerária e me ensinado os meios necessários a uma sobrevivência digna. Meus agradecimentos são extensivos aos funcionários e Guardas, com algumas exceções, como se verá a seguir Agradeço de coração ao Desembargador Dr. Pedro Ricardo Gagliardi, digno membro da Magistratura Paulista, honrada com seus julgados, com sua postura escorreita e na qual está situado, tendo ocupado, por seus méritos, sabedoria e humildade, o alto posto de Presidente do Tribunal de Alçada Criminal do Estado de São Paulo. E o faço porque S.Exa. foi o único de meus contemporâneos de Faculdade a reconhecer a situação arbitrária, ilegal e desumana em que eu me encontrava, preso no C.O.C. e que muito me ajudou, na condição de um verdadeiro amigo, para que aquela situação mudasse, com meu encaminhamento para Prisão Militar. O Autor