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22 Maio 2011 
                            -  A  FERA  DA  LIBERDADE   -                  -   DOIS  PESOS  DUAS MEDIDAS   -  AS VÍTIMAS DO SISTEMA    -                                                                -    UM ADVOGADO NA PRISÃO  -             Dâmocles era cortesão de Siracusa. Viveu no fim  do século IV e início do V. Era contemporâneo de Dionísio, cuja felicidade invejava. Este resolveu mostrar a Dâmocles a precariedade da ventura dos reis. Convidou-o a presidir um régio banquete. No meio de sua euforia Dâmocles ergueu os olhos e percebeu que havia,  sobre sua cabeça, uma espada afiada, sustentada apenas por um fio de crina de cavalo.             Daí advêm duas expressões – “com a vida por um fio” e “a espada de Dâmocles”, com idêntico significado, simbolizando o perigo que pode pairar sobre a cabeça do homem, ameaçando sua vida,  mesmo em seu pleno apogeu.          Por isso este livro tem seu nome. Todos estão sujeitos ao perigo. Os homens têm sempre sua liberdade ameaçada. Os presos têm sempre suas vidas ameaçadas. Não importa se o homem é de origem pobre ou se está em abastança. Ninguém escapa de seu próprio destino. E sua sorte não é o homem que traça, mas seu semelhante, inda mais se está subordinado a este, na condição de subalterno, de empregado, de encarcerado...                                A FERA DA LIBERDADE          Desculpem-me pela aparente prolixidade, mas acontece  que se torna imprescindível apresentar, para serem submetidos ao crivo dos leitores, os fatos geradores de vícios, defeitos, nulidades e injustiças, ocorridos em processos cíveis e em inquéritos policiais, nos quais eu era, na maioria das vezes, requerente ou vítima, e, em outras poucas, indiciado e réu. Os litígios eram sempre entre mim e minha ex-madrasta, de nome Alexandra Draganow, uma mulher apátrida, nascida na Polônia e que viveu e sobreviveu aos traumas da Segunda Guerra Mundial.                                        .-.-.-.-.-.-      19/novembro/1.993 - Centro de Observação Criminológica, prisão de Segurança Máxima - Pavilhão 4 -              Estou com sessenta e dois anos. Triste, pensativo, cabisbaixo, sentado em minha “jega”, cotovelos apoiados nos joelhos, dedos enroscados nos cabelos, encerrado dentro de uma exígua cela de cimento e ferro, solitária, isolado de tudo e de todos. Mentalizo - meu DEUS, que estou fazendo aqui? Aqui não é meu lugar. Quê fizeram comigo? ?        (vide figura anexa, na capa do livro)           O calor é insuportável, janela gradeada, envidraçada. Porta de aço, com pequena abertura para passagem de alimento e por onde os guardas, em suas rondas, verificam se ainda estamos ali e se estamos vivos. Para esta confirmação, somos obrigados a responder às batidas de chaves, que os guardas dão na superfície daquela abertura, na qual se coloca a caneca plástica para se receber um líquido preto que dizem ser café. Falta água, já há algum tempo, um, dois, três dias seguidos, pois os registros são fechados por fora, pelos guardas.            O sol bate diretamente na porta de aço, pela manhã, até por volta das oito horas, tornando o lugar um verdadeiro forno. Passo o tempo todo só de cuecas, suando em bicas. Felizmente tenho alguma água trazida pela família ou que me chega por meio dos outros presos, nas suas ardilosas maneiras de enganar a vigilância. Pela pequena abertura entra a luz do rei Sol, que eu recebo em meu abdome, postado, em pé, quase junto a ela. Dura apenas alguns minutos, mas o calor vem direto. São os poucos momentos que tenho de “direito ao sol”  (necessário para a fixação do cálcio no corpo, sem o que chegam a cair os dentes, como vi, depois, acontecer com alguns presos e o que se passaria também comigo).  Pela falta de ventilação o recinto se aquece cada vez mais e a temperatura aumenta mais ainda quando o sol passa sobre a laje/telhado, que cobre a cela, e começa a incidir sobre o outro lado da cela, desta vez pela janela, passando por entre as grades. O ar fica viciado, não só pelo calor, pela diminuição do oxigênio, mas também pelo fedor das fezes e da urina, no vaso sanitário (chamado de “boi”) instalado ao lado da pia, esta aos pés da enxêrga de cimento, ou “jéga”, no jargão carcerário.  Isso tudo porque estou preso “de castigo”, já por vinte dias, porque (pensava eu) os guardas haviam “encontrado” uma cédula de cem cruzeiros (cinco centavos de real), pois era proibido ter “dinheiro”, para evitar comércio entre os presos (essa quantia não dava sequer para comprar uma bala ou um chiclete). E esses vinte dias integram já seis meses de prisão, cinco dos quais dentro desta penitenciária, considerada de Segurança Máxima, transferido que vim, de um Distrito Policial (91º D.P.), o qual é tido como Especial para receber presos portadores de diplomas universitários, políticos, Guardas Metropolitanos,  devedores de pensão alimentícia, e outros. Mas a razão do castigo era outra, ordenada pelo médico (direi em seguida). Fui, inicialmente, levado para esse Distrito porque...            bem, permitam-me os leitores voltar no tempo e, como diz o povo, começar desde o começo...              ...em 1.969 eu abri uma lanchonete na rua São Joaquim, em salão de três portas, em prédio de nossa propriedade. Meu pai insistiu para que eu desse emprego para um rapaz de quinze anos, filho de minha inquilina, de nome Alexandra Fodor. Certo dia, porque o rapazinho nada sabia fazer e só se esquivava de trabalhar, mandei-o embora. Ele entrou  no prédio e voltou com a mãe, minha inquilina, que veio tomar satisfações comigo. Ela portava um chicotinho, feito com pata de veado, com o qual passou a me  agredir. Segurei o chicote, em minha defesa. Era o que ela queria ... imediatamente ela deixou comigo aquela parte que eu segurava e puxou a outra parte, que era uma lâmina, dentro da bainha dissimulada. Enquanto eu fiquei com aquela parte ela tentou enfiar a lâmina em minha barriga. Felizmente eu conhecia artes marciais (eu era dono de uma academia, em outro salão, em um outro prédio, também nosso e dava aulas de defesa pessoal,). Segurei-lhe o pulso e a imobilizei. Quando ela estava contida meu pai chegou, atraído pelos gritos e palavrões que ela soltava. Por insistência dele não fomos para a Delegacia. Tudo terminaria ali...                                           .-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-              Em outubro de 1.970, tive uma visão, na qual eu ví uma cena de atropelamento e a vítima era meu segundo filho, então com cinco anos e oito meses. O tempo se passou, fiz de tudo para evitar que aquilo se transformasse em realidade, procurando lugares onde não existissem veículos. Porém, no dia 23 de outubro do ano seguinte, quando uns amigos ciganos inauguravam sua casa nova, em uma rua tranqüila, sem trânsito de carros, a tragédia aconteceu.  Um rapaz embriagado e irresponsável ( porque estava sem sapatos, só de chinelos) arremeteu um carro  contra cerca de vinte crianças que ali brincavam (dentre as quais meu filho) somente    para assustar”, como ele disse, porque, em sua primeira passagem as crianças teriam gritado "contra-mão" e batido com as mãos em seu veículo. Ele saiu do carro e gritou que iria "passar por cima". Subiu certa distância e voltou, em velocidade, arremetendo o veículo contra elas e atingindo meu filho em cheio e passando por sobre ele. Fui chamado. Acorri o mais rápido possível. Peguei meu filho e fomos até o Pronto Socorro mais próximo. Dali ele foi levado para o no Hospital Municipal, onde faleceu. Morto meu filho, fui até o Distrito Policial da área onde acontecera o acidente, para comunicar o fato. Em lá chegando constatei que o Escrivão estava lavrando um Auto de Prisão em Flagrante  contra  o atropelante, por omissão de socorro. Disse eu ao Escrivão que era uma injustiça, eis que o rapaz havia recolhido meu filho no asfalto, com intenção de socorrê-lo, segundo disse. E seu corpinho estava em seus braços.  Ele m’o entregou quando me aproximei gritando - dá ele aqui, é meu filho ! - e nos levou a ambos em seu carro, até o Pronto Socorro do bairro do Ipiranga, de onde meu filho foi levado em ambulância até o Hospital Municipal, em cujo nosocômio ocorreu o óbito. Ora - não tinha havido omissão de socorro por parte do rapaz, por isso insisti para que se não prosseguisse com aquela lavratura de flagrante e cheguei até a arrancar da máquina as folhas que estavam sendo preenchidas.            E desde aquele dia, nestes últimos vinte e oito anos, nunca procurei o atropelante para qualquer discussão ou ato de vingança, pois nada, muito menos violência, iria trazer nosso filho de volta.       Apesar de sua  irresponsabilidade, o rapaz foi absolvido  pela  Justiça, por falta de provas, pois o Juiz não aceitou as informações prestadas pelas outras crianças, embora tenha ele confessado. Eu e minha família o perdoamos e pusemos uma pedra sobre esse assunto.                    Após a morte de meu filho entreguei minha lanchonete a meu cunhado, fechei minha academia e  fomos (minha mãe, minha irmã e filha minha mulher e nossos dois filhos), primeiramente para Portugal e depois para Espanha. Meu pai ficou para cuidar dos negócios e nos mandar nossa parte em dinheiro, para nossa sobrevivência, até que pudéssemos nos estabelecer por completo, como era nossa intenção. Depois de muitos dissabores, porque ele não mandava numerário suficiente, precisámos retornar e o fizemos em grupos – primeiro minha mãe e minha irmã com a filha, para que elas pudessem resolver os problemas que meu pai alegava ter e depois nós, a muito custo, pela falta de dinheiro.        Algum tempo depois fomos morar em Rudge Ramos e nos transferimos para a Igreja Metodista, uma vez que éramos arrolados como membros na Sede Central. Fui convidado e ingressei no Lions Club de Rudge Ramos- cujo Distrito representei, como Delegado, na Convenção Internacional, em Miami, Flórida, em julho/73 -  Assumi um trabalho missionário como membro dos International Gideons (Gideões Internnacionais), tendo também participado da Convenção Internacional  realizada em Houston, Texas, como representante do Brasil. Criei a primeira de cinco  academias de artes marciais,  fundei a Sociedade Amigos de Rudge Ramos, que presidi por doze anos, fundei e presidi a Associação dos Advogados de Rudge Ramos. Fui eleito Presidente da Federação das Sociedades Amigos de São Bernardo, por quarenta e seis votos das quarenta e sete entidades filiadas (a minha, por mim representada,  deixou de votar). Criei um folhetim chamado Florivaldo Pereira Inform (ainda existente), e também um jornalzinho chamado Rudge Ramos em Revista (viria a ser o JORNAL DA LIBERDADE). Adquiri um título de sócio do São Bernardo Tenis Club, da elite, e passámos a freqüentá-lo com assiduidade. Deus nos ajudava e estávamos muito bem. Em agradecimento (e pela falta do filho morto) eu e minha mulher passámos a ajudar na assistência de duas centenas de crianças de uma Creche da cidade e começámos a recolher menores desassistidos, que vinham morar conosco como se filhos fossem. E foram mais de sessenta, que levamos, desde a idade que contavam até atingirem a maioridade. Alguns permaneceram e ainda estão conosco, até cursando faculdades, alguns já graduados.              No entanto e apesar de nossa situação sempre alguma coisa acontecia, para nos prejudicar. Não sabíamos o que poderia ser, até que um dia meu alfaiate, também aluno de nossa Academia, me perguntou – Florivaldo, você tem pais vivos? -. Respondi que sim e perguntei a razão daquela pergunta. Ele me explicou que, dias antes, parou uma carro verde, com um casal dentro.  O homem ficou no carro e a mulher foi até ele. Ela perguntou-lhe se ele conhecia um advogado de nome Florivaldo. Sim, foi a resposta. E meu amigo disse que não podia relatar o que a mulher havia dito a meu respeito, porque eram coisas muito pesadas. Logo pensei em Alexandra e tentei amenizar a situação, dando-lhe conta de que aquela mulher era amante de meu pai e tinha muita raiva de mim, e aí  por diante...

Admin · 21 vistos · Deixe um comentário
22 Maio 2011 
        Poucos dias antes de meu pai morrer preveniu-me contra sua segunda mulher, Alexandra, e relatou-me fatos que teriam acontecido muitos anos antes,  os  quais, posteriormente, levei ao conhecimento de um Delegado da Polícia Civil, de nome Lazaro (negro, muito forte, apesar de haver perdido um braço, e que mais tarde iria ser Promotor de Justiça e posteriormente advogado). Disse meu pai que Alexandra o havia envolvido no desaparecimento do marido dela, para poder continuar livremente como sua amante, o que já vinha acontecendo havia muito tempo, desde antes daquele incidente do punhal dentro da pata de veado...            Alexandra e seu marido eram meus inquilinos, em um dos apartamentos de minha propriedade.   A locação havia sido feita em nome dela.                   O  marido descobriu a relação dela com meu pai e foi até o apartamento de minha irmã, no mesmo prédio, armado de revolver, para tomar satisfações com meu pai. Apesar da gravidade do fato meu pai não chamou a Polícia nem permitiu que o fizéssemos.  Era o ano de 1.970. Em junho seria realizado o  Campeonato Mundial de Futebol, no México. Alexandra aguardava tal evento. Numa noite em que a equipe do Brasil jogava, chovia em São Paulo. Tão logo o Brasil marcou um gol, o país todo saiu às ruas ou às janelas, para soltarem fogos de artifício. No mesmo instante em que os fogos espocavam, Alexandra, utilizando-se de revolver de meu pai, teria atirado contra o marido, que estaria sentado em uma poltrona, também vendo o jogo. Ela não o amava e se casara com ele por interesse, pois estava grávida de outro homem. O filho  precisava de um nome e, com tal casamento, ela conseguiria garantir sua permanência no país, pois era apátrida (sua pátria não mais existia, invadida que fora pela Alemanha nazista), muito embora estivesse se casando com rumeno.                Em seguida, ainda conforme o relato de meu pai, Alexandra, que havia trabalhado no Hospital do Câncer, como auxiliar de enfermagem (emprego arranjado por meu pai) teria cortado o cadáver em diversas partes, colocando-as em sacos de lixo. Tais volumes deveriam ser atirados em um poço aberto nos fundos do prédio, o qual dava para um duto de cimento/amianto que servia de galeria pluvial. Nesse duto  fôra feita uma abertura, para aquele fim sinistro e para tal mister Alexandra chamou meu pai.   Como meu pai desaprovara o tresloucado gesto e se recusara a agir como partícipe, Alexandra o obrigou, sob a ameaça de que iria envolvê-lo, de qualquer forma, pois a morte fôra com a arma dele, que ele houvera emprestado a ela apenas para usar como defesa, caso houvesse necessidade extrema. Meu pai acabou cedendo e livrou--se dos sacos.           Alexandra conservou em seu poder a arma de meu pai, como garantia de que ele não iria comprometê-la nem denunciá-la, e com isso chantageava meu pai em outras coisas.           Aproveitando-se do desaparecimento do marido Alexandra ingressou com Ação de Separação Litigiosa, fundamentada em maus tratos e abandono do lar.    Meu pai serviu de testemunha dos maus tratos (que em verdade nunca presenciou) e do abandono do lar. Alexandra venceu a demanda e voltou a usar o nome de solteira (Draganow).            Decorrido o prazo legal ela ingressou com Ação de Divórcio. Nos dois processos foi decretada a revelia do réu !                De se esclarecer que, quando Alexandra surgiu nas vidas de nossa família ela alardeava dois orgulhos:                - ter sobrenome Romanov, da família Imperial Russa   (descobrimos depois que era mentira, pois ela era megalomaníaca)                     -     ter matado muitos soldados alemães e russos, quando seu país, a Polônia, foi invadido durante a Segunda Guerra Mundial.  E ela descrevia como teriam acontecido tais mortes - bonita e jovem,  com cerca de dezenove anos, ela, como outras moças, atraía o inimigo para relações sexuais e, durante o ato, usando lâmina afiadíssima, degolavam seus parceiros, cortando-lhes suas jugulares,de modo tal que nem sequer tinham tempo de agarrar uma arma ou gritar por socorro - morriam instantaneamente -. Em seguida aos alemães vieram os russos, os quais, sabedores dos modos utilizados pelas jovens, iam em grupos, para impedir que aqueles atos se repetissem com eles. Alexandra passou a nutrir ódio maior contra os russos. E Alexandra ria, ao contar, afirmando que assim agia para se vingar dos inimigos e para pegar as coisas deles, como armas, botas, cigarros, dinheiro, alimentos... E nós ficávamos pasmados, meio incrédulos, mas havia tanta riqueza de detalhes e ela usava de tanta veemência que nos víamos forçados a acreditar.               Atos posteriores, praticados por Alexandra, viriam reforçar a crença de que tudo que ela havia nos contado era verdade. E passamos a temê-la. E também a seu irmão Nykolas, que se dizia matador.                                                 .-.-.-.-.           Em cinco de janeiro de 1.979, aniversário de minha mulher, estávamos almoçando em casa de minha sogra, em Santos. De repente a comida me volta à boca e cuspo-a fora. Levantei-me rapidamente e disse -    minha mãe está passando mal -. Apressei meus familiares e quis levá-los embora para São Paulo, com certa relutância da aniversariante. Esperamos o bolo e saímos, parando antes em São Bernardo do Campo, onde morávamos. Dali telefonei para a casa de minha mãe e fiquei sabendo que a mesma estava  internada em uma Clínica,  em  São Caetano do Sul. Fomos para lá, pois era  perto  de  nossa casa.           Estranhamos que minha mãe tivesse sido levada para outra cidade, pois perto de sua casa havia quase uma dezena de bons Hospitais, - Adventista, São Lucas, Modelo, Bandeirantes, Beneficência Portuguesa, Santa Helena, Santa Catarina, Municipal - melhores que qualquer Clínica. Porém essa era de propriedade de um Capitão médico do Exército, muito amigo de meu pai.               Ao chegarmos à tal Clínica  - p a s m e m !  -   de otorrinolaringologia, deparámos com um homem vestido de branco, cimentando uma calçada. Perguntado quem era respondeu - era o médico de dia  (expressão militar).        Adentrámos a Clínica e fomos rebuscando nos quartos, até que, com tentativas de obstação por parte de uma mulherona, também de branco, acabámos encontrando minha mãe - amordaçada, mãos e pés atados, amarrados à cama -.   Irritado, gritando, ordenei que a soltassem ou eu chamaria a Polícia, porém o médico explicou que ela estava sedada.        Ora, meu, disse eu, se ela está sedada por que está amarrada e amordaçada ?  ele respondeu - é para evitar que ela se debata. Insisti e tiraram a mordaça e as tiras de bandagem que lhe tolhiam os movimentos dos pés e mãos. Você está bem ? perguntei. Ela apenas murmurou - me tira daqui, ”my son” (modo familiar como ela me chamava) -.              Pedi para usar o telefone, o que me foi negado. Fui até uma banca de jornais, na esquina, comprei fichas e liguei para meu pai, em São Paulo, para que providenciasse a imediata remoção  de  minha mãe ou eu convocaria a família e os parentes. Minha mãe foi levada para o Hospital São Lucas, a uma quadra de sua casa. Ela passou por vários exames, todos eles negativos. Ela era saudável.          Minha mãe foi muito bem atendida e recebeu alta.No entanto, apesar de ter sido submetida a vários testes laboratoriais, todos com resultados negativos, uma coisa nos causava muita estranheza - ficámos sabendo que minha mãe tomava injeções de insulina,  aplicadas (adivinhem por quem) por Alexandra “amiga da família” e “enfermeira” como ela se apresentava ...       ...Três meses depois sinto novamente aquela sensação, agora com muita dor no estômago. Vou para a cama e, ao contrário de meu costume, deito-me no lado esquerdo da mesma. Contorcendo-me em dores clamo por Edith, que me atende, e lhe digo, com voz forçada - minha mãe está passando mal -.     Edith contestou-me e disse, como que tentando me acalmar - você deve estar impressionado, ela não tem nada -. Nesse mesmo instante o telefone toca. Edith vai atender e volta com presteza, dizendo - era a Francisca (cozinheira de minha mãe). Ela pede nossa presença urgente. Sua mãe está mesmo passando mal !-.         Superei aquele meu mal estar e partimos imediatamente. Como eu já era radio-amador, chamei pelo transmissor do carro e pedi auxílio na rede, queria uma ambulância e um médico. Quando chegámos à casa de minha mãe já lá estavam vários colegas do éter, dentre eles alguns médicos, todos solícitos, como é costume entre nós, a prestarem socorro e outros tipos de atendimento. Subi as escadas do prédio, adiante de todos, e cruzei com meu pai, que me interpelou - que você quer aqui ? - e respondi, sem parar - vim ver minha mãe ! -.  - Ela está bem, vá embora ! - disse ele.Entrei no apartamento e fui até o dormitório de minha mãe (meu pai dormia em quarto separado havia anos). Ela estava deitada, se não morta, pelo menos em seus últimos suspiros. - Que foi ? quê aconteceu ?, perguntei nervoso e tremendo. E as criadas, em uníssono, responderam - foi sêo Benedito ! ele obrigou dona Ida a tomar uma cápsula. E continuaram - ela sempre tomou uma cápsula azul, mas ele jogou o pozinho na pia e colocou outro e fez ela tomar na marra. Disseram que minha mãe colocou-se de joelhos e implorou a meu pai - eu tomo, mas antes me deixa ver meu filho ! - Meu pai insistia - toma aí, engole logo!- E continuaram as moças - dona Ida continuou se negando mas ele acabou concordando com  ela e enfiou a cápsula na boca dela (sic)-. Tão logo minha mãe engoliu a cápsula meu pai deixou o local. Foi então que uma das moças ligou, chamando por nós, enquanto que  duas outras levaram  minha mãe, já trêmula, até o banheiro,  onde foi tentar vomitar, para expelir a cápsula, mas já começou a sentir-se mal, com tonturas, como ela afirmou às moças. Algum tempo depois meu pai teria retornado, para ver em que pé estavam as coisas. Quando entrei na rampa do prédio e subi as escadas foi que nos cruzámos. Fiquei sabendo, posteriormente, que ele havia ido para o litoral, onde possuía uma casa, que estava sendo utilizada por Alexandra, a qual se fazia passar como esposa, perante os vizinhos. Meu pai só retornou no dia seguinte. Porém, antes de sair de São Paulo ele deixou um cheque em branco, com um rapaz que me procurou, dizendo estar incumbido de providenciar os arranjos dos funerais (minha mãe nem sequer estava morta quando meu pai saiu !).  Fomos até a Funerária Municipal. Quando retornei minha mãe já estava sendo colocada no caixão. Os homens da funerária colocaram o ataúde no rabecão e saíram, sem esperar acompanhamento. Fomos obrigados a perseguí-lo, em velocidade, pois não respeitavam os semáforos e corriam costurando o trânsito. Chegámos ao Cemitério de Congonhas, no qual meu pai já havia adquirido dois lotes - um para o filho de Alexandra, que morreu misteriosamente, com apenas dezenove anos,  e outro para aquela finalidade atual - enterrar minha mãe -.              Passámos a noite velando o corpo de minha mãe. Meu pai estava ausente, só tendo comparecido na manhã do enterro. Meu pai ficou ao lado do corpo, por alguns minutos.  Fomos alertados pelos coveiros que duas mulheres  estavam ao lado da cova onde o corpo de minha mãe seria depositado. E que ambas cuspiam na cova, gritando  vitupérios e imprecações contra a morta. Corremos até lá e constatámos que se tratavam de Alexandra e outra mulher, desconhecida. Quando fomos avistados Alexandra deixou sua companheira e saiu correndo em direção ao carro, que era de meu pai, e partiu em desabalada carreira, tendo até abalroado um veículo que estava estacionado. A Administração do Cemitério registrou os fatos e disseram que iriam tomar providências (soubemos, mais tarde, que Alexandra era considerada louca e que estaria impedida de adentrar o campo santo sem a companhia de algum funcionário).               Anos depois, meu pai me relataria aqueles fatos sobre a morte do primeiro marido de Alexandra e tentaria me  convencer de que fôra levado àquele gesto extremo contra a vida de minha mãe por exigência de Alexandra, a fim de que ele se casasse com ela - o que era intuito dela fazia muito tempo, conforme foi provado em processos judiciais -.               E meu pai, viúvo, “casou-se” com Alexandra. “Casou-se” está entre aspas porque os empregados dele, que foram as testemunhas do ato, afirmaram que ele não queria assinar o livro, ela conduziu sua mão para obter a assinatura.  O “casamento” foi realizado com meu pai doente, no leito de um quarto separado, fora do apartamento onde Alexandra morava. Muito embora Alexandra nos afastasse de nosso pai, ele conseguiu nos avisar que ela queria casar-se com ele, contra sua vontade e nos informou o dia. Comparecemos, mas Alexandra não nos  permitiu entrar, e disse, ante minha insistência: eu tenho  sangue quente, é  melhor você  ir embora, para evitar uma tragédia ! -.Saímos. Três meses depois do “casamento” Alexandra apossou-se de  todos os bens de meu pai - móveis, carros, telefones, imóveis em número superior a setenta unidades residenciais, salões comerciais, terrenos, garagens, bens guardados em cofre particular do Banespa, depósitos bancários,  títulos e ações de empresas e de Bancos.  E Alexandra apossou-se de tudo o mais que pôde lançar mão, fatos esses confirmados por sua própria irmã Vera, conforme depoimentos em processos cíveis e criminais, a qual dizia:          “Alexandra sempre quis se apossar de todos os bens           do sr. Benedito e  para  isso  usou  de  todo  tipo de        expediente, como  documentos  forjados  e  outros”    E assim tomámos conhecimento dos atos de Alexandra. Contudo, esse apossamento, por parte de Alexandra, incluía um imóvel de minha propriedade, em comunhão com minha mulher - um pequeno prédio de cinco andares, e dois salões comerciais -  como se Alexandra fosse adquirente e  o recebimento de alugueis de outras propriedades nossas e de meu pai.   Neste caso os bens estavam arrolados no Inventário de minha mãe, no qual eu fôra nomeado Inventariante, em substituição a meu pai, por impedimentos legais que ele haviacausado, como o casamento antes da partilha dos bens e outros. Daí em diante passei a acionar Alexandra na área cível como na esfera criminal. Nesta, Alexandra foi indiciada em vários inquéritos policiais, pela prática dos crimes de estelionato - Alexandra alugava os imóveis fazendo constar nos contratos que era proprietária, o que, segundo o Código Penal, caracteriza aqueles crimes -.                            Era um inquérito para cada unidade. a saber:-        sete -     na rua Quirinópolis,   bairro do Imirim        oito -     na rua São Joaquim,  bairro da Liberdade  Além desses Alexandra recebia alugueres de mais trinta e três apartamentos na rua Pirapitinguí, quinze na rua Taguá, mais os salões comerciais. Para estes não houve inquéritos, porque Alexandra se valia de um seu amante, escroque e estelionatário como ela, de nome Ari Alves Pereira (coincidentemente com as mesmas iniciais de minha irmã A......., em cujo nome estava o prédio originalmente. Ari firmava os recibos como A A Pereira) e Alexandra também tinha em seu poder documentos pelos quais ela os  havia “adquirido”.     No entanto tais aquisições ocorreram mediante fraude e simulação, que me ensejariam propor ações contra ela.  Porém não encontrei um único profissional, dentre Professores, Juizes, Promotores - que me dessem uma esperança de vencer tais processos - e nenhum colega advogado que quisesse atuar, diante da existência daqueles tais documentos.                        No entanto, com a ajuda de DEUS, que me deu uma inspiração, numa madrugada, consegui encontrar um caminho legal e com isso iria agir, mais tarde, em causa própria, contra Alexandra, e passaria a enfrentar seus advogados – verdadeira quadrilha, mancomunada com funcionários de Cartórios de Notas e das Varas Cíveis e Criminais.                                          .-.-.-.-.-.-.-             Agosto de 1.984 - Alexandra ordenou a um dos empregados de meu pai que arrombasse a porta de meu escritório, localizado ao lado da rampa de carros, no andar térreo de meu prédio, na rua São Joaquim. Com o barulho minha mulher desceu para verificar o que estava acontecendo, enquanto eu estava terminando meu banho. Ouvi vozes e gritos. Desci rapidamente, para me inteirar e tive uma surpresa muito desagradável – Alexandra, com a mão esquerda, puxava os cabelos de Edith, para que esta abaixasse a cabeça, a fim de facilitar a agressão que estava sofrendo, por parte da outra, a qual,  com a mão direita, empunhava um cano de ferro, que servia de trave da porta e que havia sido arrancado. Edith, por sua vez, com a mão esquerda (a mão mais fraca), segurava a mesma barra, um pouco abaixo da mão de Alexandra, e com a mão direita também puxava os cabelos de sua agressora. Procurei desvencilhar Edith, segurando os pulsos de Alexandra e gritando em russo para que parasse. Ela irou-se mais ainda, talvez lembrando-se de seus estupradores, naquele tempo de guerra. Parecia estar louca ou drogada, o que impedia de  fazê-la parar. Não tive outra alternativa a não ser lhe dar umas pancadas. Meu pai, a essa altura, caído no chão, gritava – bate na cabeça! Bate na cabeça ! Não atinei se era para mim que ele gritava tal ordem ou se era para Edith ou até mesmo para Alexandra.           Alexandra espumava e não parava de agredir Edith. Agarrei um grande grampeador de metal e passei a dar mais pancadas em Alexandra, sempre na cabeça, na qual abriu-se uma brecha, com o sangue a jorrar, espirrando como chafariz pelas paredes, pelo chão e por cima de nós outros. Demorou uns instantes e Alexandra afrouxou, dobrando-se nas pernas. Tirei o cano de suas mãos. A essa altura estava chegando a Polícia, atendendo a chamado de outro empregado, por ordem minha, dada tão logo adentrei o escritório.             Quando os policiais entraram viram uma  cena terrificante -  um velho, cujas muletas estavam quebradas, não se sabe como, estava caído, coberto  de sangue. Minha mulher toda ensangüentada pelo próprio sangue que lhe saía da fronte e do alto da cabeça e o sangue de Alexandra, ambas meio tontas com as pancadas que haviam desferido e recebido. Eu,  em pé, com minha roupa também cheia de sangue, sem saber o que fazer. Fomos todos para a Delegacia de Polícia (atentem bem - 5º Distrito Policial). Por muita insistência minha a Polícia  levou a arma que Alexandra havia usado na agressão a Edith (no Distrito Policial aquele cano acabou “desaparecendo”)                O Delegado determinou a elaboração de boletins de ocorrência distintos – um, para a invasão e agressão praticados contra Edith, indiciando Alexandra, e um outro, sendo vítima Alexandra. Meu pai não estava ferido. Apenas havia caído, quando Alexandra lhe arrancou uma das muletas, com a qual desferiu o primeiro golpe em Edith, quebrando-se tal apoio. Não foi instaurado qualquer inquérito policial.                    Os Boletins foram engavetados (por interesse maior de Alexandra) e os fatos ficaram no esquecimento.                                     .-.-.-.-.-.-                 No mesmo ano requeri instauração de Inquérito Policial contra Alexandra, dessa vez porque ela havia alugado mais um de nossos apartamentos, como se proprietária fosse, tendo recebido quantia depositada pela inquilina, uma moça que trabalhava no Hospital Beneficência Portuguesa. Alexandra passou a receber também os alugueres. Arrolei a moça como testemunha, porém a pobre coitada apareceu morta, com uma poça de sangue a seu lado, ela caída ao solo, ao lado da cama. Essa foi a cena que me descrevera um outro morador do prédio, de nome Nelson Ferrari, o qual, atendendo a pedido de minha irmã, arrombou a porta, até então trancada por dentro.                     Era mais um dos inquéritos que se desvanecia, beneficiando Alexandra. Além dos “meros” documentos (como entendia o Promotor de Justiça) não havia qualquer outra prova contra ela.                                           .-.-.-.-.-                Quanto aos inquéritos em que ela foi indiciada, o Promotor Público entendeu que os valores eram pequenos, porque eu juntara apenas um ou dois recibos assinados por Alexandra, emprestados pelos inquilinos.  O Promotor considerou apenas o valor nominal de cada um deles, referente a UM mês de aluguel, para cada unidade, quando na verdade devia levar em conta que eram vários meses, de diversas unidades,  além do fato relevante de que ela se passava por proprietária, obtendo vantagem ilícita.               E, pensando daquela forma, o Promotor, absurdamente, pediu arquivamento, sem apresentar denúncia contra ela, para ser processada pelos crimes que vinha cometendo e que continuou praticando, pois,  acobertada que estava pelo ato do Ministério Público, sentiu-se vitoriosa. ESSE ATO DO M.P. ERA PREVARICAÇÃO, UMA INJUSTIÇA !.  Outros, pobres, miseráveis, são indiciados pelo furto de um pedaço de pão, são processados, são condenados e levados à prisão...                                               .-.-.-.-.-                                E Alexandra não era Ré primária. Muito embora meu pai tenha sido sua testemunha de defesa, ela já havia sido condenada por agressão, usando machadinha,  contra uma moça grávida que se sentara à porta da casa dela... Isso ocorreu em 1973, minha mãe era viva, porém Alexandra já se apresentava a todos como esposa de meu pai...               Alexandra não temia a Polícia - certo dia agrediu  um Investigador de Polícia, que era seu inquilino em propriedade de meu pai, no Parque Bristol, (mesmo local da agressão à moça), porque o rapaz abriu o registro d’água, fechado por ela (maneira que ela usava para apressar os pagamentos dos alugueres)... [Algum tempo depois Alexandra acabou sendo condenada pelo Juiz da 30ª Vara Criminal pelo crime de estelionato (mais um), praticado contra minha sobrinha e seu marido]          Agosto de 1.985 –            Num cortiço existente na rua Taguá nº 330, no bairro da Liberdade, um homem, de nome José Ibiapina da Silva, foi assassinado por meio de arma de fogo, quando abriu a porta para atender seu vizinho, de nome Luis Rodrigues da Silva e que estava acompanhado pelo namorado de uma de suas três filhas. Foi instaurado Inquérito Policial e Luis estava sendo intimado para comparecer à Delegacia (5º Distrito) a fim de ser ouvido, porque outros moradores e a companheira do morto haviam dito que o crime fôra praticado pelo namorado da filha dele e que ele estaria junto, portanto como co-autor. Eu morava próximo e tinha o escritório no mesmo prédio. Fui procurado por ambos, que me pediam assistência profissional, e me contaram em detalhes o que havia ocorrido e seus motivos, e a autoria foi confirmada. Perguntei-lhes porque me haviam procurado e responderam que fôra indicação de dona Alexandra, a quem Luis e outros moradores do cortiço prestavam alguns pequenos serviços de reparos nos dois prédios (os mesmos que ela havia usurpado).... Além de Luis também sua mulher, cujo nome fiquei sabendo anos mais tarde, e outra moradora daquele lugar, parente do casal, prestavam serviços de faxina, como diaristas, tanto nos prédios como no apartamento usado por Alexandra e ainda lhe lavavam roupas. Um filho de Luis  servia de menino de recados  para Alexandra.              Por causa dessa ligação de Alexandra com a família de Luis e por causa dos litígios que eu mantinha contra ela, estranhei aquela indicação e aleguei não atuar na área criminal, para me esquivar de patrocinar a defesa de ambos, ou pelo menos não me vincular aos mesmos, com qualquer tipo de orientação. Pela recusa recebi ásperas palavras de advertência, como ameaças, para que eu não divulgasse o que acabara de ficar sabendo. Tranqüilizei-os, dizendo que advogado era como padre – não podia, por lei, contar o que sabia. Retiraram-se. Fiquei sabendo, mais tarde, que um dos advogados de Alexandra lhes havia prestado orientação e acompanhamento no Inquérito, no Distrito Policial, fornecendo ao  Delegado depoimentos das testemunhas de Luis  - sua própria mulher e sua filha Maria Ilza, vulgo Nina – que apresentaram  álibis para o marido e pai e para o “genro”, e também de uma mulher, que era exploradora do cortiço, administrado por Luis, a qual maldissera a vítima. E o irmão e a mulher da vítima, depois de alguma pressão, claramente visível no Inquérito, mudaram seus depoimentos. Antes, diziam com certeza que tinha sido o namorado da filha de Luis. Depois, disseram que nem sabiam se a moça tinha namorado (alguns anos mais tarde se confirmaria que Nina tinha aquele namorado, o qual era ladrão). Nada mais foi averiguado. O Delegado achou melhor não prosseguir em qualquer diligência investigatória. O caso foi encerrado, com o pedido de arquivamento, feito pelo Delegado e acompanhado  pelo Promotor de Justiça, que também não demonstrou qualquer interesse em requerer diligências, no sentido de se encontrar qualquer culpado pela morte daquele operário infeliz. Claro! – não era um crime de repercussão. A vítima era um pobre coitado, miserável, trabalhador nordestino, enquanto que os autores eram malfeitores e tinham as costas quentes. Tal caso, mesmo que descoberto, não iria dar IBOPE.            Alexandra ficou feliz e se vangloriava disso. Luis, sua família e os genros estavam agradecidos e tinham uma dívida de gratidão para com ela.                                   .-.-.-.-.-.-            8 de outubro de 1.985 -  Menos de dois meses depois.       Um Oficial de Justiça da 8ª Vara da Família, por determinação judicial, em pedido que fiz, na condição de Inventariante, intimou meu pai a me entregar os bens deixados por minha mãe e também os documentos referentes à meação dela nos bens imóveis. Meu pai havia combinado comigo para eu fazer aquele pedido e assim ele teria uma justificativa legal para tirar da posse de Alexandra os bens que pudessem ser alcançados, como as jóias de minha mãe e outros objetos de valor. Alexandra recusou-se. Houve, segundo meu pai me informaria, uma discussão entre ambos e meu pai foi agredido por ela, com ameaças de que ela iria quebrar os ossos dele. Meu pai, então, escreveu uma carta, endereçada para uma de suas irmãs, contando o que havia sucedido, e pretendia entregar essa missiva a um inquilino de confiança, de nome Albertino, quando o mesmo fosse, no dia seguinte, pagar o aluguel de manhãzinha, como era seu costume, pois ambos ficavam tomando cafezinho e batendo papo. Essa carta viria a ser uma prova contundente contra Alexandra, daquilo que ela costumava fazer com meu pai.  No entanto essa carta não chegou às mãos da destinatária, isto é, nem sequer foi entregue ao inquilino. Essa carta apareceria, mais tarde, dentro de um dos livros de meu pai.           E, no dia seguinte, de manhã, meu pai faleceu. Alexandra alegaria que meu pai fora vítima de queda acidental, pois havia caído de uma mureta no segundo andar do prédio até o solo do prédio vizinho. Ela disse à Polícia que ele teria subido numa cadeira, para alcançar a mureta, onde iria sentar-se, com as pernas para fora, para tomar sol.            Porém essas alegações não passavam de mentiras, pois ali  naquele local, o sol não bate pela manhã, só chegando por volta de meio dia (devido à sombra do prédio ao lado) – e mais       - meu pai nunca poderia ter subido numa cadeira, nem de uma cadeira para a mureta, porque ele usava muletas para se locomover (muito pouco), não podendo muito menos subir ou descer um degrau de escada (razão pela qual não podia ir até a caixa de Correio, na esquina, daí a intenção de pedir ao inquilino que levasse a carta), por causa de uma queda no Metrô, com quebramento de um fêmur (lembram-se do incidente em meu escritório, em 1984 ?) e de um segundo acidente, no banheiro de sua casa, poucos dias antes, quando deixou escorregarem as muletas, com quebramento da bacia, com agravamento de seus movimentos.             Alexandra alegava que o corpo, ao cair, caiu sobre três fios elétricos, estendidos entre o prédio e uma edícula vizinha, a uma altura de quase cinco metros do chão, quebrando-os. Era mais uma mentira, porque, mais tarde, seria constatado que os fios haviam sido cortados com alicate (e ainda lá estão...).                                                                  .-.-.-.-.-.-                No processo sobre o prédio da rua Taguá a anulação e retomada demoraram cerca de dois anos e alguns meses. No dia 13 de agosto de 1987 (quando foi publicada a sentença favorável a mim) estava eu a limpar uma valeta do ralo, na garagem, quando, de repente, surge do nada um tal de Nycholas, irmão de Alexandra, com o qual eu nunca havia trocado uma palavra sequer. Ao vê-lo se aproximando procurei ser amistoso e lhe perguntei – e aí, Nicola, como é que é ? -. A resposta dele foi – como é que é é isso aqui – e levantou a camisa, deixando entrever uma bainha de couro, muito parecida com um coldre. Antes que ele sacasse o que portava eu subi a rampa, correndo. Nesse exato instante ouvi um estampido e senti uma pancada muito forte em minhas costas. Pensei – fui baleado -. E cheguei na calçada gritando – cuidado, filho ! – para alertar meu filho que estava engatando uma carreta de motos em meu carro, para viajarmos. Do meio da rua pude ver, na sacada da área do apartamento onde Alexandra  morava, alguém que se escondia, afastada do parapeito. Era Alexandra, que segurava um revolver, apontando para cima e fazendo movimentos, exibindo a arma, a qual, por ironia, seria aquela de meu pai.               No entanto eu não fôra alvejado e sim atingido por uma faca. Meu agressor Nycholas fugiu, levando consigo a arma branca que havia usado e esgueirou-se entre os carros ali estacionados. Fomos até o Pronto Socorro, onde fui atendido, e dali até a Delegacia (sempre o mesmo 5º Distrito Policial, cuja circunscrição abrangia o local dos fatos)        Ao chegar perante a autoridade, um Delegao já me aguardava e nos atendeu rispidamente. Ouviu mais ou menos minha narração e retrucou –será que você não mandou seu filho enfiar uma faca em suas costas só para você se defender? -. Eu perguntei, espantado – defender-me de quê, se sou a vítima? -.  E o Delegado afirmou – ‘já me telefonaram e disseram que você estava dando tiros nos outros -. E pude perceber a presença de Nycholas ali na Delegacia. Vendo que já estavam encenando de modo diverso o que realmente havia acontecido, fiquei revoltado e saí, dizendo ao Delegado – faça como o senhor quiser, já vi que o senhor foi comprado -. Ele gritou para mim – volte aqui!, vou processá-lo !    Eu não lhe dei ouvidos e nunca fui processado por lhe haver dito aquelas palavras. E fiquei com o ferimento e a cicatriz da facada em minhas costas...

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22 Maio 2011 
            Dois Oficiais de Justiça cumpriam Mandado Judicial de Reintegração na Posse do imóvel da rua Taguá. Eu aguardava na calçada, com dois caminhões, para levar os móveis que guarneciam o apartamento que estava na posse ilegal de Alexandra (onde devia morar meu pai). Como esta relutasse em abrir a porta foi solicitado e expedido um Mandado de Arrombamento e Uso de Força. Foi solicitado auxílio da Polícia Militar, que mandou uma guarnição tendo como encarregado um Sargento. Devido à enorme obstação feita por Alexandra esse Sargento pediu apoio e compareceu mais uma guarnição, comandada por um oficial.       Com o arrombamento da porta os Oficiais de Justiça, acompanhados pelos militares, passaram a arrolar todos os bens que ali se encontravam e que estavam descritos nos Inventários de minha mãe e de meu pai, para serem removidos dali para lugar seguro. Os bens de Alexandra, como roupas e objetos de uso pessoal, foram colocados dentro de um lençol amarrado pelas pontas e colocado no corredor do prédio ao lado, para que ela os recolhesse. Tudo foi feito na presença não só dos policiais como de alguns moradores do prédio e do próprio irmão de Alexandra.               De repente surge Alexandra, acompanhada de dois de seus advogados, que quiseram impedir a ação judicial. Como não obtiveram êxito dirigiram-se até a Delegacia (5º Distrito Policial) a cuja autoridade policial Alexandra apresentou queixa alegando que seu domicílio fôra invadido mediante arrombamento, e que fôra vítima de roubo de cheques, uma quantia vultosa em dinheiro e jóias, incriminando a mim, a meu filho e também alguns amigos dele. Quanto aos Oficiais representou administrativamente.              Dias depois, na Delegacia, presente Alexandra, fui inquirido pelo Delegado M. B. sobre as jóias. Reparei que Alexandra usava uns brincos de brilhantes e platina (que haviam sido de minha mãe) e que ela havia arrolado no Boletim de Ocorrência sobre os fatos. Reservadamente chamei a atenção do Chefe dos Investigadores sobre a jóia e ele repassou ao ouvido do Delegado. Este perguntou a Alexandra – e esses brincos que a senhora está usando, não foram roubados? -. Ela respondeu que os havia comprado depois dos fatos. O Delegado perguntou de quem ela os havia comprado, por quanto, se o pagamento fôra em dinheiro, etc.  Ela declinou um nome de um homem, um endereço e uma quantia, que teria sido paga. Em cheque ou em dinheiro?, perguntou o Delegado. Alexandra vacilava nas respostas. Em cheque, disse. O Delegado insistiu – se foi em cheque, a senhora tem o canhoto? Alexandra retificou – não, senhor, foi em dinheiro.        O Delegado percebeu que Alexandra mentia e determinou aos Investigadores que fossem buscar tal homem. Ali, na presença dela, o homem disse que ela apenas havia levado uma jóia para limpeza, que ele não vendia jóias e nunca recebera quantia grande daquela senhora.         O Inquérito, obviamente, foi arquivado na Justiça (ufa ! graças a Deus, não fui, mais uma vez, indiciado por algo que não havia cometido).                                  .-.-.-.-.-.-.-.        Em relação ao prédio da rua Pirapitinguí os advogados de Alexandra, usando de meios até escusos, conseguiram protelar o desfecho por onze anos. Mas a vitória veio, a Justiça anulou o documento  e a propriedade acabou voltando para o nome de meu pai, indo integrar o Espólio dos bens, que  eu também representava, no início da ação (e representaria,  até o dia em que, na prisão, seria obrigado a anuir que o cargo passasse para minha irmã, também advogada. E a posse do prédio seria entregue ao Espólio, na pessoa de sua nova Inventariante).           Alexandra foi condenada, nos dois processos, a pagar indenizações, para mim e minha mulher e para o Espólio, porém  nunca procurei receber. Ela continuava nossa devedora...                Meu filho ingressou na Polícia Militar e, nos dias em que  fazia  escolinha de recrutas na Polícia Militar, passou em casa, com um ofício endereçado pelo Comandante de sua Unidade ao Comandante Geral. Meu filho foi informado pelo  sargento que lhe entregara tal documento, que ele seria desligado, porque havia uma queixa contra ele, formulada junto ao Comando Geral.                Como, na Polícia Militar, ao ser feita qualquer queixa contra seus elementos, é praxe punir antes para depois averiguar, e, desconfiado de quem teria dado tal queixa contra meu filho,  levei  alguns documentos e o acompanhei até o Quartel General. Em lá chegando fui atendido por um Major, que pegou uma pasta, dizendo ser um procedimento contra meu filho, porque havia uma queixa de uma senhora, que dizia que o neto dela, soldado da PM, acompanhado de alguns militares, teria invadido o apartamento dela para roubarem móveis e objetos e que o neto batia nela para arranjar algum dinheiro. Ela porém omitiu que eram os mesmos fatos do cumprimento de ordem judicial e de que o inquérito havia sido arquivado. Com os documentos em mãos e minha argumentação, meu filho não foi desligado (fiquei sabendo, mais tarde, que Alexandra teria sido orientada e assistida por seus advogados – um deles trabalhando na Caixa Beneficente da Polícia Militar, cujo cunhado era Coordenador Jurídico, e outro, que se dizia parente de um Coronel daquela milícia)                                                                    .-.-.-.-           Meu filho deixou a Polícia Militar, pois ingressou  na Academia de Polícia, concluiu o curso e foi nomeado Investigador de Polícia. Certo dia ele  foi até uma farmácia, nas proximidades de nossa casa e ali esqueceu sua carteira com dinheiro, documentos de Investigador de Polícia, de sua moto e outros, pessoais. Alexandra freqüentava a mesma farmácia e, em lá comparecendo, como fazia habitualmente, foi perguntada a respeito dos documentos. Dizendo que eram de seu neto ela se comprometeu a levá-los para o mesmo, porém não o fez. Meu filho retornou até a farmácia e ficou sabendo que Alexandra os havia levado, sob aquele argumento. Como não havia entendimento entre ambos, ele procurou a Delegacia (5º Distrito Policial) onde pediu a cooperação da autoridade, que mandou intimar Alexandra a comparecer ao Distrito, a fim de entregar os documentos ou dar explicações porque ela não o fazia. Alexandra atendeu a intimação e teve o descaramento de apresentar uma desculpa inverossímil e esfarrapada, ao dizer que havia deixado a carteira com os documentos na soleira da porta da rua do prédio onde meu filho morava (inverossímil e infantil tal versão...). Os documentos jamais retornaram às mãos dele (até seriam utilizados, mais tarde, talvez por ela, para prejudica-lo, como veremos adiante). O Delegado mandou que se elaborasse um Boletim de Ocorrência, no qual constava que Alexandra era indiciada pelo crime de Apropriação Indébita de documentos, com a assinatura dela, abaixo de sua alegação. Mesmo assim nada mais foi feito.                                         .-.-.-.-.-. 

                 MAIS UM CRIME PRATICADO POR ALEXANDRA

      O relatório no  Inquérito que “apurava” a morte de meu pai transformou o  fato de Queda Acidental em Suicídio por Induzimento. Em razão disso Alexandra foi denunciada pelo Promotor Público do 1º Tribunal do Júri de São Paulo. E mais uma vez ela foi beneficiada – NÃO foi pedida sua Prisão Preventiva - ela bem o merecia, pois, afinal, era uma pessoa perigosa, demonstrado pelos fatos e por seus antecedentes (outros, por menos, ficam meses e até anos, à espera de  julgamento, para depois serem absolvidos – e esse tempo ficam presos “de graça”). Eu e mais sete pessoas fomos arrolados como testemunhas de acusação. Quando fui para ser ouvido levei aquela carta que meu pai havia deixado, tendo a mesma sido juntada aos autos.        O advogado de Alexandra impugnou o documento e a assinatura de meu pai, mas o Instituto de Criminalística (Polícia Científica) confirmou que o documento era autêntico. Tudo estava caminhando para novos rumos, no processo, para alteração na Denúncia, de mero Induzimento para Homicídio doloso. No entanto as testemunhas de acusação foram desaparecendo uma após outra, por morte ou desaparecimento. Só estava restando meu nome naquele rol do Promotor...  

                   COMEÇA A CONSPIRAÇÃO CONTRA MIM

         Alexandra e seus advogados precisavam me alijar de suas vidas, do processo... Por um lado era o interesse financeiro -  impedir que eu, como Inventariante, tomasse posse do prédio do Espólio de meu pai, pelo que eu lutava e que estava na iminência de acontecer, por meio de Mandado Judicial, pois eu já havia vencido a demanda, mesmo nas instâncias superiores. Com meu afastamento Alexandra continuaria recebendo os alugueres dos trinta e três apartamentos e do salão comercial e continuaria pagando bem a seus advogados, e por outro lado algo precisava ser feito para que eu NÃO comparecesse em Plenário, para testemunhar contra ela.         Para Alexandra alcançar seus objetivos várias tentativas foram feitas contra minha vida -        a tiros :-     1 -   nos fundos do prédio da rua São Joaquim, na época em que eu lá morava. Esse ato teria sido praticado por elementos  mais tarde identificados e que estavam se utilizando de um carro em nome daquele tal de Ari;       2  - no corredor do prédio da rua Taguá, cujos portas dos medidores de consumo de luz foram atingidas e ainda lá se encontram os vestígios;        3   -     junto à porta de meu apartamento, nesse mesmo prédio, para onde eu me mudara. O tiro acertou a parede;     4   -      quase tentativa, no corredor desse prédio (dois elementos se apresentaram, pedindo para ver apartamentos que eu colocava em locação. Quando subíamos as escadas percebi que falavam espanhol. Perguntei se eram argentinos. ”Não, chilenos”, foi a resposta. Como notei que um deles escondia uma arma e eu já estava prevenido por Vera, irmã de  Alexandra, de que esta havia “contratado dois chilenos”, amigos do genro de Vera, atirei-me sobre ele, de compleição mais franzina e o desarmei. O outro tentou me segurar, mas me desvencilhei facilmente. Desarmados, sairam em desabalada carreira. A arma, um Smith&Wesson, especial, cano curto, calibre “38, cinco tiros, ficou em meu poder e passou a ser utilizada pelo Segurança de meu restaurante, ficando na gaveta do Caixa. Essa arma iria ser apreendida anos depois, por policiais do 5º D.P., sem Mandado de Buscas ou de Apreensão).                                                                             - a paulada -       - três japoneses, certo dia, um deles portando um bastão de madeira, de forma triangular, me atacaram na entrada de meu apartamento, quando eu descia as escada. Entrei em luta corporal e estava levando a melhor, quando caí alguns degraus abaixo, momento em que foi desferido violento golpe, de cima para baixo, visando minha cabeça. Prontamente juntei os punhos, formando uma cruzeta, para interceptar o bastão ou abrandar a pancada. Devido à má posição em que me encontrava o bastão atingiu o dedo indicador de minha mão esquerda, esfacelando a falanginha e a falangeta. Na hora nada senti, por isso revidei o golpe, com um chute duplo (ambos os pés) de baixo para cima e acertei o abdome de meu agressor, certamente causando-lhe grande dano, o que motivou sua fuga e a de seus comparsas. Como era certo de que nada adiantaria apresentar queixa, dei por encerrado o incidente. Só que, dias depois, foi necessária uma intervenção cirúrgica em meu dedo, para colocação de uma prótese, em substituição aos fragmentos dos ossos (a conta da cirurgia foi paga pela Caixa de Assistência dos Advogados). Por meio de comentários fiquei sabendo que o japonês do bastão era amigo do irmão de Alexandra... E, por acaso, quando eu jantava com minha mulher em um restaurante oriental, na rua da Glória, deparei com aquele mesmo japonês, trabalhando na cozinha. Ignorei sua presença e evitei qualquer contato. Nunca mais o vi.                                                                                                                                                                - a facada -  


           - praticada pelo irmão de Alexandra, na garagem de meu prédio, como já contei -.


           Num daqueles casos em que fui vítima de agressão a tiro (na porta de meu apartamento) o Inquérito não prosperava e nada se descobria (no mesmo 5º D.P. de sempre). Consegui que as peças fossem remetidas para a D.H.P.P. (Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa), cujo Delegado mandou degravar (ouvir e passar para texto escrito) uma fita magnética, apreendida na secretária eletrônica de Alexandra. Chamada pelo Delegado Alexandra ouviu a fita gravada e assinou o texto, confirmando que era sua a voz que se ouvia, em conversa entre ela e o tal de Ari. Nítida e clara, ouviu-se que ambos concertavam uma trama contra mim... Alexandra orientava Ari – primeiro você vai à Polícia e faz a queixa, depois você... -. Com isso ela queria dizer que, antes de qualquer fato acontecer, ou mesmo que não acontecesse, Ari deveria comparecer perante um Delegado e apresentar queixa por um fato não acontecido, para efeito de registro, e, depois sim, como se tivesse acontecido, tomar uma atitude contra mim, em represália, ou em legítima defesa, adredemente armada (era muita ardilosidade, muita malícia, muita maldade)...            Se tivéssemos que comparecer perante  a autoridade policial, esta já estaria de sobre-aviso em relação a mim. Eram dois estelionatários, usando suas férteis mentes criminosas para conspirarem contra mim, para me envolverem em fato do qual  eu nem sequer tomara conhecimento ou do qual nem sequer participara...                   JOSEFINA – Uma testemunha que nunca iria comparecer...               Uma daquelas duas moças que me procuraram para me informarem sobre as circunstâncias da morte de meu pai, a qual também havia sido arrolada como testemunha de acusação contra Alexandra, acabou falecendo de “morte não esclarecida”. Era outra a menos contra Alexandra...


                                      .-.-.-.-.-.-.-.-.-.


            No entanto Alexandra e seus advogados não conseguiam me afastar, apesar de todos esses ataques contra mim. Precisavam mais ainda – conspurcar meu nome, minha moral, minha honra. Assim, caso eu tivesse que comparecer em plenário, seus defensores teriam argumentos suficientes e convincentes para derrubarem qualquer depoimento que eu prestasse contra ela. Foi então que Alexandra pediu ao Delegado do 5º D.P. a instauração de Inquérito contra mim, alegando que estava sendo ameaçada de morte e juntou um bilhete manuscrito em letras de forma, que tinha sido entregue a ela por sua própria irmã. Neguei, alegando que ignorava o bilhete e seu conteúdo e tudo que fosse relativo a tal ameaça. Cheguei a dizer ao Delegado, verbalmente e por escrito   - não tenho o menor interesse em ver Alexandra morta. Quero, isto sim, que ela viva, para eu poder reaver os bens móveis e  imóveis e receber as indenizações que ela me deve -. Eu disse mais - se Alexandra morrer irá ser mais dificultoso alcançar aqueles meus objetivos, pois certamente será aberta sucessão e os irmãos dela irão criar obstáculos para que entre na posse etc. -.    A morte de Alexandra nunca me interessou e em nada me beneficiaria. Por Graça de Deus, que iluminou a cabeça do Promotor que recebeu o Inquérito, foi requerido exame pericial do bilhete (não pedido pelo Delegado), para comparação com minha caligrafia,  tendo o laudo negado qualquer participação de minha parte (no entanto a letra do bilhete é incrivelmente semelhante à letra da própria Alexandra, apesar das tentativas de disfarçá-la). O Promotor, por verificar a inexistência de qualquer fato delituoso de minha parte, pediu o arquivamento do Inquérito, ressaltando, em sua manifestação, com muita clareza, que, na verdade, estava ocorrendo um crime, porém não de ameaça, mas sim de denunciação caluniosa, praticado por Alexandra, sendo eu a vítima. Caberia a mim, segundo ele, tomar as providências para os necessários procedimentos contra ela, para  pedir a inversão da queixa e então Alexandra seria  denunciada. Porém mais uma vez deixei p’ra lá. Eu não tinha intenções outras que não fossem retomar meus bens, pelos meios legais, e só !                  Apesar de ter havido o arquivamento, Alexandra, mais uma vez, marcou um ponto – toda vez que se pedisse minha ficha, no Distribuidor Criminal, meu nome lá estaria, constando “Crime de ameaça – vítima Alexandra”. Tal documento, ou certidão, iria servir para os advogados dela pedirem minha contradita, no julgamento dela no Tribunal do Júri.               Porém o Promotor do processo de Alexandra foi alertado e se preveniu com uma certidão que eu lhe forneci, informando o arquivamento. Alexandra tinha certeza que eu seria ouvido em plenário e ela seria condenada por crime mais grave – o homicídio de meu pai...
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22 Maio 2011 
                      Agora Alexandra e seus “soldados” contra mim. Precisavam de novas provas de defesa, para contrariar qualquer coisa eu fosse dizer contra ela. E  indicaram como “testemunha do suicídio de meu pai” um elemento da Polícia Militar, de prenome Percí, e a amante deste, de nome Maria Marta, que se dizia enfermeira e “colega” de Alexandra. Esse casal  nutria forte sentimento contra mim, porque eu os havia despejado de um apartamento de minha propriedade, com retomada judicial, que Alexandra lhes havia alugado, recebendo alugueres (um daqueles...). Esse despejo caiu do céu como a oportunidade que Alexandra estava esperando. Ela acolheu a despejada e o amante, cedendo-lhes gratuitamente um apartamento no prédio onde ela morava (em litígio, pela ação que eu propusera em nome do Espólio de meu pai). Era óbvio que essas “testemunhas” arranjadas por Alexandra eram “compradas”, porque também eram muito amigos e freqüentadores da casa de Alexandra, e iriam prestar falsos testemunhos, para confirmarem aquela tese de suicídio, cuja pena, pelo crime de induzimento, era bem menor que a de homicídio doloso, qualificado ainda pelo fato de ter sido praticado contra cônjuge e contra idoso, incapaz de se defender (que, na verdade, ocorrera e que meu depoimento iria demonstrar aos jurados).           E não deu outra – Percí disse que vira meu pai sentar-se na mureta do segundo andar (não existe mureta nesse andar) com as pernas balançando para fora, para o espaço. Ora, ora ! se realmente ele tivesse visto tal cena, e em sendo policial, deveria ter agido como tal, impedindo o prosseguimento, o que, certamente, não fez...          Marta, como boa amiga de Alexandra, corroborou a versão de seu amante. Porém - se fosse verdade a versão deles, Alexandra estaria mentindo (ela disse que meu pai se colocara em pé, na mureta). Ou ela mentia ou o casal mentia. Ou os três mentiam... (esse policial teria sido o autor do disparo na porta de meu apartamento, conforme eu iria declarar em Juízo)                                            .-.-.-.-.-          Alexandra estava sendo processada pelo crime de ESTELIONATO praticado contra minha sobrinha e o marido desta, e seria condenada à pena de reclusão, com o benefício do “sursis (suspensão do cumprimento da pena) pelo prazo de dois anos (muito embora já tivesse sido condenada anteriormente, pelo crime de agressão a machadinha, que havia praticado contra uma moça grávida e ainda estivesse respondendo a Inquéritos Policiais e Processos Criminais).       A sentença condenatória de Alexandra foi proferida no dia                   30 de janeiro de 1.992  (marquem esta data)                                            .-.-.-.-.-.-.-            Alexandra tinha como principal objetivo, verdadeira obsessão, prejudicar-me e desmoralizar-me, não só para enfraquecer aquela acusação contra ela, no processo da morte de meu pai, como especialmente por vingança, retaliação, pelo que eu lhe fazia – defender meus direitos e os de minha família -.Para tanto ela e seus advogados estavam servindo-se de planos mirabolantes, próprios de cinema ou novela, ou seja – tão logo acontecesse algum fato criminoso  nas imediações, fosse uma briga, um atropelamento, ou qualquer coisa que demandasse a presença policial, as pessoas de confiança dela, de sua corja, os marginais, ladrões e   traficantes, moradores ou freqüentadores daquele “cortiço” da rua Taguá, nº 330, em sua maioria amigos de Nyckolas, irmão dela, deveriam de imediato comunicar a ela, a fim de que ela entrasse em contato com seus advogados, para receberem instruções de como deveriam proceder e o que deveriam dizer, para envolverem e incriminarem a mim e a meu filho.            Depois de tantos Inquéritos Policiais, nos quais Alexandra tudo fazia para envolver a mim e a meu filho, como indiciados, mais um fato criminoso aconteceu. Eu era a vítima, porém, por influência de Alexandra, os fatos foram invertidos  e passei a ser réu.   No dia 26 de abril de 1.991 eu retornava do Mercado Municipal, onde fora comprar suprimentos para meu restaurante. Eu estava acompanhado de um rapaz, policial civil, amigo nosso e filho de um Delegado. Quando passávamos defronte ao nosso prédio da rua São Joaquim (“Condomínio Almeida Pereira”),  percebemos que dois rapazes, com um molho de chaves, tentavam abrir o cadeado de um portão usado única e exclusivamente por mim, que dava acesso privativo, por uma rampa, às unidades residenciais de minha propriedade e ao terreno dos fundos, meu e de minha irmã. Esse terreno era usado como estacionamento dos carros de nossa família, tendo vários deles, várias vezes, sido danificados, com quebramento de vidros, para furtos de valores e objetos, praticados, inclusive, por um viciado em drogas e que acabou morrendo de aids, filho daquele Nelson Ferrari. Foi nesse mesmo terreno que fui vítima daquela agressão a tiros, daí o uso de cadeado. Parei o carro e me dirigi a um soldado que fazia o policiamento escolar, defronte ao Colégio Campos Sales, enquanto o policial civil foi até os rapazes, segurando um deles pelo braço, mais precisamente aquele que estava com as chaves. O PM chegou rápido e segurou o outro. Nesse instante chegou um rapaz nisei (partícipe daquela agressão com o bastão, da qual resultou o aleijão em minha mão esquerda).Esse novo personagem dos fatos, indiferente à presença do policial fardado – e impune daquela agressão anterior – entrou em cena de inopino e se atirou sobre mim, desferindo socos e ponta-pés, o que levou o Policial Militar a soltar o rapaz que segurava, para agarrar o nisei, meu agressor. Com algumas explicações e por estar atrasado para a entrega das compras, não fiz questão de comparecer ao Distrito Policial, dizendo que, se possível e necessário, eu iria após o almoço, por isso dispersamos. No entanto os três rapazes foram até algum lugar e, algum tempo depois foram até o Distrito Policial. O Delegado notou que nenhum deles apresentava qualquer sinal de lesão e entendeu que eles não tinham sido vítimas de qualquer crime, dispensando-os. Porém alguém ... os orientou a procurarem a Corregedoria da Polícia Civil e darem parte do Delegado, pela recusa de atendimento.         De posse de um memorando daquela Corregedoria os três voltaram à Delegacia e, com tal documento, conseguiram a elaboração de um Boletim de Ocorrência no qual figurariam como vítimas de agressão. E quem seria o indiciado ? Ora, é fácil saber. Eu mesmo. O Delegado, pressionado, atendeu os três e, para salvaguarda de meus direitos, mandou me chamar, a fim de elaborar um outro Boletim, no qual eu deveria figurar, porém como vítima. Esse Boletim iria ser elaborado, em seguida àquele que os rapazes tinham exigido. Os rapazes receberam guias de encaminhamento para exames de Corpo de Delito, porém não foram até o I.M.L No Inquérito instaurado – averiguação de invasão de propriedade, tentativa de furto qualificado, agressão...- mesmo não tendo tido eu qualquer participação ativa, não tendo havido qualquer lesão em nenhum dos três e mesmo com a declaração ao Delegado, feita verbalmente e por escrito pelo nisei, de que ele havia desferido socos e ponta-pés em mim, que era vítima naqueles fatos, o Delegado M.G.M. (guardem este nome) que presidia o Inquérito, resolveu indiciar a mim. E ouviu o policial militar cujo nome figurava na escala de serviço, naquele dia 26, o qual me acusou, descrevendo tudo como se eu tivesse praticado agressão. Porém aquele policial militar MENTIU, porque não era ele quem havia participado daqueles fatos e sim um outro, seu colega, que o substituíra, em troca de serviço não autorizada. Para impedir que essa troca chegasse ao conhecimento de seus superiores, o soldado que realmente estava escalado e que faltou ao serviço, quando intimado, por ofício, compareceu na Delegacia em lugar do outro, que participara dos acontecimentos – e prestou falso testemunho – o que ensejou a elaboração de pesado relatório policial,  e acabei sendo citado para responder a processo pelo crime de agressão.       Em Juízo, porém, aquele soldado, que verdadeiramente sabia dos fatos e deles participara, foi ouvido e esclareceu tudo, confirmando minha versão, o que, aliado à falta de lesões (muito embora um dos rapazes tivesse ido ao I.M.L., mais de vinte dias depois, apresentando hematoma no braço direito, o qual, segundo o laudo, fora produzido dois ou três dias antes do exame) ensejou minha absolvição.             Porémrestava o que mais interessava a  Alexandra (mentora de toda a trama) – o registro em minha ficha criminal, na qual era acrescentada mais uma agressão...                                              .-.-.-.-.                 No dia 1º de maio de 1.991 um dos três “genros” de Loide e Luis, apelidado de “Fia” e que usava vários nomes, foi preso em Flagrante por Policiais Militares, pelo crime de tráfico de drogas  e levado ao 5º Distrito Policial, onde foi indiciado pelo crime de uso de drogas, mais brando...                  No dia seguinte estava eu conversando com o Del. B., Assistente do Titular, atendendo a mais uma intimação (sempre problemas com Alexandra), quando reparei, no outro lado da calçada, aparentando certo nervosismo, a “amante” de “Fia”. Sem qualquer intenção, fiz um comentário sobre a ligação da moça com o traficante e adiantei que alguns membros daquela família eram assassinos e também outros eram ladrões e traficantes, conforme eu já sabia (a morte de José Ibiapina...) e também porque fiquei sabendo por meio de policiais que freqüentavam meu restaurante. O Delegado mandou o Chefe dos Investigadores trazer a moca à sua presença. Estava eu de saída,  quando os dois entraram na sala do Delegado. Algum tempo depois  fiquei sabendo que a moça ficara retida por algumas horas, até a noite, quando foi liberada. Essa retenção foi atribuída a mim, o que gerou uma onda de ódio e de revolta dos pais dela e dos outros membros da família - genros e colegas – contra mim e, por extensão, contra “meu filho”, contra meu afilhado, ambos policiais e até contra meus familiares. Com isso Alexandra marcava pontos, favorecendo sua sanha contra mim e “meu filho”...                                             .-.-.-.-.-.-.     Certa noite estava eu saindo com minha mulher, quando, ao pisar na calçada, percebi que havia um auto verde tipo Chevete, com quatro ou cinco elementos em seu interior, estacionado quase na entrada de minha garagem. Chamou minha atenção o fato de que, tão logo saí do prédio, dois deles saíram do carro, um de cada lado, e se posicionaram abaixados, atrás das portas. Desconfiei daquelas atitudes e barrei minha mulher com o corpo e voltei para dentro do prédio. “Que foi? “, perguntou ela, assustada. Expliquei rapidamente. Em pé, na porta, limitei-me a observar, porém o fiz com um gesto de quem ia sacar uma arma. Dois rapazes saíram correndo em direção ao “cortiço” próximo. O carro saiu em disparada e o que estava sentado no banco dianteiro abaixou-se. Pude ver claramente e anotei as placas, que mais tarde levaria ao conhecimento do Delegado do 5º D.P.  Tirei meu carro da garagem e deixámos o prédio. Após um levantamento feito pela polícia foi constatado que as placas teriam sido furtadas, pois seriam de um Passat cor cinza.           Na noite seguinte minha filha ligou, dizendo que o marido fora para o litoral e que ela estava pretendendo jantar em nossa casa e pernoitar com suas filhas. Porém, disse, não estava podendo deixar sua casa, pois estava com receio, uma vez que um Chevete verde, com alguns elementos mal encarados, estava lhe bloqueando a saída. Orientei-a para que chamasse a Polícia e anotasse as placas, se possível. Já o fiz, disse ela. E me ditou as placas, que coincidiam exatamente com aquelas do carro do incidente, na noite anterior. Porém o carro saiu do local antes que chegasse qualquer viatura policial até sua casa. E minha filha e minhas netinhas não puderam deixar a casa. Fui até lá, com minha mulher e lá passámos a noite.          Tais fatos também foram levados ao conhecimento do Delegado do 5º D.P., a quem eu já havia passado as primeiras informações, e ao Delegado do 34º D.P., em cuja circunscrição estava localizada a casa de minha filha.                                           .-.-.-.-.-.           No feriado de 25 de janeiro estava eu na calçada, com minhas netinhas, aguardando minha mulher e minha filha, para sairmos, quando aproximou-se “Bronco”, aquele “genro” de Luis (daquele caso do homicídio do José Ibiapina). Assim que ele chegou mais perto ele perguntou  – “doutor, são suas netinhas ?” Meio contrariado respondi – “sim, por quê ? “ . Ele fez um comentário - “Nada, não, é que elas são muito bonitinhas...” . Para encerrar o assunto e demonstrar que eu não estava aborrecido, nem pretendia criar caso, falei – “obrigado, seu filhinho também é muito bonito”. E eu disse com muita ênfase, porque de fato o menino lembrava muito aquele filho meu, que morreu atropelado. Então “Bronco” ficou passado e perguntou, em tom brusco – “o senhor ‘tá ameaçando meu filho ?”.  É claro que não”, respondi. E continuei, também com uma pergunta – “por quê, você ‘tá ameaçando minhas netas?”.. Ele disse que não e encerrei o assunto, dizendo – “então estamos empatados”. Minha mulher chegou nesse ponto de nossa conversa e estranhando a presença daquele tipo e do tom de minha voz, perguntou o que estava acontecendo. Nada, nada, entra no carro, disse eu a ela, ao mesmo tempo em que abria a porta da garagem para ela, minha filha e as crianças.                                     .-.-.-.-.-.-.                  Alexandra estava mais fortalecida, com a adesão, não mais comprada, mas agora natural, de Loide, de Luis, de seus filhos e filhas, dos “genros” e dos demais marginais, amigos daquela família, dentre os quais o dono da banca de jornais da esquina (onde os escolares e estudantes compravam as drogas dos traficantes), sendo que um dos sócios dessa banca era amante de Geralda Dutra Mantone. Esta, como  ex-cozinheira de meu restaurante, também nutria antipatia por nós, porque fora despedida no começo de janeiro de 1.992 (logo após nosso retorno de Buenos Aires, onde havíamos ido passar o Ano Novo) porque não quis reassumir suas funções, após nosso retorno, e porque sua filha também era freqüentadora daquele “cortiço”.         Geralda e Loide eram muito amigas (Geralda diria, mais tarde, na Corregedoria da Polícia Militar, em Inquérito instaurado para averiguar a eventual participação de meu afilhado, que eu já havia praticado nada menos que dezessete homicídios !!!...). Por ser uma afirmação leviana e absurda, o Promotor nada mencionou. Loide tornou-se mais íntima de Alexandra, não mais como faxineira, mas como “amiga”. Loide apresentou Geralda a Alexandra. Agora em três, o ódio de Alexandra contra mim estava mais fortalecido. Alexandra, pela situação econômica, liderava o grupo. E, por causa de sua  formação moral e de seus antecedentes e por tudo que ela estava fazendo e iria fazer, sinto-me no direito de lhe atribuir um cognome, gerador da primeira parte deste livro –

Admin · 17 vistos · Deixe um comentário
22 Maio 2011 
                      Segunda parte - D O I S    P E S O S   D U A S    M E D I D A S  Terceira parte -  A S   V Í T I M A S    D O   S I S T E M A Estas partes são continuação da primeira, estando as três interligadas pelos fatos e seus participantes.          Alexandra e seus “amigos”, incluindo seus advogados, tinham um inimigo em comum – eu, Florivaldo.       30 de janeiro de 1.992        (dia em que foi prolatada a sentença condenatória de Alexandra, pela prática do crime de estelionato, em que as vítimas eram minha sobrinha e seu marido).       Nesse mesmo dia, por volta das 17,00 hs. minha mulher recebeu um telefonema de sua irmã mais velha, avisando que sua mãe, então com oitenta e quatro anos, estava passando mal, acometida por uma isquemia cerebral. Fechámos o restaurante, às pressas e, com nossa roupa de trabalho (ela com vestido branco e avental cor-de-rosa, eu de branco total - calça, camisa e sapatos brancos), nos dirigimos até a casa de minha sogra. Passámos pela banca de jornais da esquina, onde troquei um cheque, pois poderia haver necessidade de alguma pequena despesa. Chegámos ao prédio e subimos até o apartamento da moribunda. Eram mais ou menos dezoito horas. A velhinha estava sendo atendida por médicos que mantinham consultórios no mesmo prédio, chamados às pressas e que nos disseram que a paciente poderia agüentar mais uns tempos.       Deixei aquele dinheiro com minha mulher e fui até o escritório de nosso Contador, acertar contas e detalhes comerciais, cujo escritório fechava às 19,00. Permaneci algum tempo, passei num Posto da av. Ricardo Jafet, para abastecer meu carro. Como estava sem dinheiro, paguei com cheque. Dali fui diretamente para a casa de minha sogra, na av. Radial Leste, no bairro do Brás, onde cheguei quando estava passando o programa Jornal Nacional, da rede Globo. Depois de algum tempo e por estar a velhinha passando melhor, saímos para casa. Ao chegarmos defronte ao nosso prédio minha mulher, antes de entrarmos, me alertou que não havia guardado comida (o que sobrava na cozinha era levado pelos funcionários, pois fazíamos novos e variados pratos, diariamente). Perguntei-lhe se estava disposta a ir a um restaurante chinês, apesar de ser quinta-feira (costumávamos comer comida oriental às sextas feiras). Fomos até o tradicional Banri, pertencente a conhecidos nossos, onde poderíamos, inclusive, pagar com vales-refeições. Chegámos por volta de 21,00 hs. . Para os chineses é costume servirem o primeiro prato e, depois de uma longa espera, o segundo, bem distante do primeiro. Porém naquela noite, devido a uma festa de confraternização mensal que pessoas de uma firma realizavam sempre  no dia 30, a demora foi excessiva.  Enquanto aguardávamos aproveitei para conversar com o proprietário, sobre fornecedores e preços. Cansados e com fome, porém sem vontade de comer, devido à situação que estávamos acabando de passar, suspendemos o segundo prato, porém o garçom já o estava colocando e nos servimos, apenas beliscando um pouco. Nem sequer pedimos sobremesa, da qual tanto gostávamos, em especial da que serviam ali.  Deixámos o restaurante às 22,00 hs. e  passei por uma casa especializada em artigos orientais, onde comprei algumas bolachas e doces, como era meu hábito. Em seguida fomos até a padaria Orquídea, em nosso caminho, que era o único lugar onde se podia comprar leite” do tipo “A”. Quando passámos pela esquina  da rua São Joaquim com a rua Taguá meu filho e meu afilhado estavam na porta de uma casa de Pão de Queijo, com mais alguns amigos. Ambos  nos viram quando passámos e vieram correndo (pois chovia muito) pela calçada oposta ao “cortiço” (como eu lhes recomendava, pois ali se reuniam muitos marginais, traficantes, ladrões, alguns até muito perigosos, que já haviam praticado assassinatos, em brigas entre si, e que, por não gostarem de policiais, poderiam lhes criar problemas). E, apesar da chuva, alguns desses marginais ali estavam, abrigados sob um toldo de um mercadinho, distante apenas quinze metros de meu prédio. Encostei meu carro na calçada,  sob o toldo de nosso prédio, para que minha mulher pudesse descer e em seguida manobrei para entrar na garagem, enquanto ela me aguardava na porta. Estava colocando o carro de frente para o portão de ferro quando os dois rapazes chegaram. Eu estava do lado de fora, abrindo o portão. Meu filho pediu dinheiro para comerem na Padaria Orquídea. Dei-lhe alguns tíquetes. Pediu-me o carro emprestado e entrou pelo lado esquerdo, abrindo a porta do lado direito, para que meu afilhado pudesse entrar. Mandei que meu filho passasse para o banco de trás, enquanto eu entrava novamente no carro (a chuva era muito forte), a fim de levá-los, pois eu precisava do carro na madrugada seguinte (seria dia de peixe e eu teria que fazer feira para o restaurante) e certamente eles o levariam para sua casa e m’o  devolveriam somente já dia claro, o que me causaria  dificuldades. Era a primeira vez em minha vida que eu estava recusando alguma coisa para meu filho. Ele estranhou meu comportamento e resmungou, mas acedeu e permaneceu no carro. Ora, como eu ia levá-los preferiram optar pela casa de Esfiha Catedral, no Paraíso,  que tem  as  melhores esfihas de São Paulo, melhor que uma simples Padaria. Seguimos pela rua Taguá, virámos na esquina da rua Siqueira Campos, subimos a rua Tamandaré, cuja continuação muda para rua Apeninos, em seu final atinge uma rua de nome Dr.Edgar de Souza Aranha, na qual virámos à direita, atingindo a rua Domingos de Moraes, com mão obrigatória também para a direita e parámos do lado oposto à Confeitaria Catedral. Por causa da chuva e da dificuldade em estacionar parei em mão dupla, defronte a Casa de Esfihas Chic. Como eu já havia comido alguma coisa meu afilhado desceu e entrou para comprar para viagem. Meu filho ficou arrumando o espelho retrovisor lateral direito, para que ele pudesse voltar dirigindo, uma vez que ele não gostava que eu dirigisse à noite. Como estava demorando e eu não queria continuar com o carro parado lá,fui até a porta verificar a razão da demora. Enquanto aguardava eu fiquei junto à entrada, para me esconder da chuva. Um fato me chamou a atenção – o rapaz que fazia a segurança daquela firma estava vestindo uma blusa certamente alheia, pois era muito pequena, bem menor que a de seu tamanho. Eu fiz um comentário – você vai acabar rasgando essa blusa ! -. Ele respondeu que a blusa, por ser de lã, esticaria, mas voltaria ao normal. E disse que não era dele e sim emprestada de um colega, a quem estava substituindo. Continuei a conversa e perguntei se ele “puxava ferro” (expressão usada por aqueles que praticam musculação ). Antes sim, mas agora parei, disse o rapaz. Chamei meu filho  olha aí, filho, ele puxa ferro. Minha intenção era convencer meu filho a praticar exercícios (ele pesava menos de sessenta quilos e era pálido feito vela, porque não se alimentava direito, só comendo guloseimas e lanches). Ele não gostou do assunto, ficou sem jeito e desconversou. Disse que estava satisfeito com o corpo que tinha e comentou – as meninas gostam assim e é isso  que importa -. O rapaz olhou para meu filho e disse  precisa fazer menos ...ao mesmo tempo em que fazia um gesto característico com a mão (masturbação). Meu filho riu e saiu dizendo qualquer coisa, voltando para o carro, sentando-se ao volante.  Meu afilhado continuava demorando. O rapaz, segurança da firma, disse-me – entra lá -. Mas eu estava com meus cabelos molhados (eram longos, para acompanharem minha grande barba) e me desculpei, apontando para uma placa que dizia – sorria, você está sendo filmado -. O rapaz disse que era só para espantar os ladrões, que pensariam estar realmente sendo filmados, em caso de algum assalto, que  não havia nenhuma câmera. Meu afilhado voltou com um pacote na mão, após cerca de quinze minutos. Voltámos para a rua Taguá, com meu filho ao volante. Eu me sentei no banco de trás, porque não gosto de viajar no banco dianteiro, como passageiro, principalmente à noite. Meu afilhado abriu o pacote e foram comendo algumas esfihas. Descemos a rua Vergueiro, virando na rua Siqueira Campos. Meu filho explicou que não iria parar na rua Taguá, por causa da chuva, e seguiu até a rua Tamandaré, virando em direção à rua Galvão Bueno, para alcançarem a rua São Joaquim, onde moravam. Dalí eu voltaria para a rua Taguá, em direção a minha casa. Porém em chegando na rua Galvão Bueno, quase esquina com a rua São Joaquim, os dois viram uma viatura da Polícia Militar estacionada nesse ponto, tendo em seu interior soldados seus conhecidos, com os quais quiseram conversar. E creio que era interesse mútuo, porque os policiais reconheceram o carro (por sinal muito conhecido de quase todos no bairro) e acionaram a sirene, com um leve toque, chamando a atenção de meu filho e de meu afilhado. Ambos saltaram do carro, indo em direção à viatura. Eram aproximadamente 23,30hs. Assumi o volante, virei a esquina da rua São Joaquim e fui para casa, a duas quadras. Quando eu estava defronte ao portão percebi que se aproximou um menino, cujo nome eu ignorava, mas sabia ser de alguma família do “cortiço”, porque ele aparecia, juntamente com outras crianças, para ganharem doces e pedaços de bolo, todas as vezes em que havia festa no salão (anteriormente utilizado para festas infantís, que eu animava com marionetes). Ele ficou debaixo daquele toldinho do mercadinho. Olhei em sua direção e lhe ofereci o pacote contendo algumas esfihas que sobraram. Ele meneou a cabeça, recusando. Esperou que eu abrisse o portão e se retirou. Além dele não havia mais ninguém na calçada, pois ainda chovia  Fui imediatamente me deitar, acertando o despertador para as cinco e meia, para acordar cedo, como de costume. Eram exatamente 23,33 hs. quando fiz isso. Apaguei a luz. Conversei alguns instantes com minha mulher, comentando que os dois não comiam, que precisavam se alimentar melhor e coisas tais. Ela disse – amanhã eu falo com eles -. Ela comentou que sua irmã ligara, informando que sua mãe estava melhor, o que nos tranqüilizou.               No dia seguinte o trabalho no restaurante foi normal. Quando eu estava fechando a porta de vidro, como de costume, às 14,00 hs. aproximou-se um carro, do qual saltou o Dr. Sebastião, Delegado de Polícia, nosso conhecido e freguês esporádico. Perguntei-lhe se estava vindo para almoçar. Como ele percebera que eu acabara de fechar respondeu negativamente. Insisti – se você quiser almoçar ainda dá tempo – e fiz menção de abrir a porta. Ele continuou a recusa e disse estar apenas procurando por meu filho, seu subordinado. Defronte ao cortiço estavam paradas duas viaturas da Polícia Militar e ouvimos comentários de que u'a mulher acabara de ser assaltada. Nesse momento parou junto a nós três uma viatura da Polícia Militar, da qual saltaram uma mulher morena e um Cabo, que se aproximaram de nós. Curioso, perguntei à mulher – a senhora que foi assaltada? . Ela respondeu – não senhor, eu quero falar com o senhor sobre meu filho que desapareceu -. Perguntei – quem é seu filho, ele é meu freguês? -. A mulher continuou – meu filho é o Ailton. As pessoas estão falando que o senhor bateu nele com um açoite e depois levou ele e ele não apareceu até agora -. Retruquei imediatamente – a senhora vai me desculpar mas nem sei quem é seu filho, não bati em ninguém e não sei do que a senhora está falando. Aquela  mulher insistiu, dizendo – o senhor levou ele no seu carro -. Perguntei – que carro, dona ? -. Ela respondeu – numa Caravan cinza -. Continuei – eu tenho uma Caravan, mas está quebrada faz uma semana, a senhora pode ver lá embaixo, se quiser  - E convidei também os policiais – o Cabo e o Delegado - para verificarem a veracidade de minha afirmação. A mulher não quis entrar, mas o Cabo desceu e constatou que o carro estava quebrado (sem o motor de arranque, levado para enrolar, uns três dias antes) pois dera defeito na volta de Santos (tinha sido feriado em São Paulo, dia 25 de janeiro), quando fomos visitar minha irmã, tendo sido, inclusive, socorrido pelo DERSA, fatos esses levados ao conhecimento daqueles policiais e daquela mulher. Em razão daquela informação prestada ali mesmo, de imediato, a mulher parou um pouco, olhou para o interior da garagem (para mais de dez carros, com cerca de seis ou sete naquele momento) e disse, sem nenhuma certeza – ... então foi outro carro ! –  Irritei-me com aquela insinuação dúbia e maldosa e disse para a mulher, em tom ríspido, que o que ela dizia era muito sério e ela estava fazendo uma afirmação falsa. – Ela retrucou – mas tem uma mulher que viu tudo -. Continuei – viu o que? essa tal mulher está mentindo! Quem é ela? E a mulher disse – ela não pode aparecer. Nisso o Cabo entrou na conversa – a senhora tem que dizer quem é -. A mãe do “desaparecido” disse - é a mulher do prédio - e apontou o prédio vizinho ao meu (aquele onde morava Alexandra). Eu esclareci a mulher – essa mulher do prédio é minha inimiga, estou processando ela -. O Cabo interveio – é sim, eu sei disso porque já atendi ocorrência dos dois -. A mulher nada mais disse. Cheguei a orientá-la para procurar nos Hospitais e também que fosse informar ao Delegado de Plantão, no Distrito Policial. Eu disse ainda que, no caso de não ser encontrado o filho dela, que ela fosse ao DEIC, na Delegacia de Pessoas Desaparecidas, onde ela poderia ser melhor orientada. Então o policial militar perguntou se o filho dela tinha apelido? -  Sim, é Xuxa - (ou algo parecido, porque não deu para perceber qual seria). O policial continuou – a senhora vai me desculpar mas seu filho não é boa gente, eu mesmo já prendi ele algumas vezes -. A mulher ficou sem jeito e pediu para ser levada ao Distrito Policial (eram mais ou menos duas e meia da tarde). O Delegado presente ouviu toda a conversa e a constatação do defeito na Caravan.           Eu e minha mulher não demos muita importância ao incidente e nos despedimos do Delegado Sebastião.           Depois ficámos sabendo que aquela tal de Loide era “sogra” de Xuxa e que ela  havia, naquela manhã,  procurado por Alexandra, de quem “recebera orientação”, tendo, em seguida, procurado a mãe de Xuxa, a quem levou aquela “orientação”.           Agora aqui cabe uma pergunta – por que Loide teria procurado Alexandra ? – A resposta é óbvia – simplesmente porque Loide sabia que essa era a oportunidade que Alexandra vinha esperando havia muito tempo.               Loide, que sabia o que realmente teria acontecido com Xuxa, encontrou sua chance de ajudar a “amiga” Alexandra, retribuindo os favores e ao mesmo se vingar de mim, por causa daquele incidente com a filha dela, no Distrito Policial.  E Alexandra sabia como orientar alguém para “dar queixa na Polícia” (É bom que se lembrem, agora, do “desaparecimento” do marido dela e do caso de Ari – primeiro você vai na Polícia, depois...) No entanto Loide não tinha muitas “informações”   para a mãe de Xuxa, as quais, certamente, se existissem, seria um prato cheio para o  Delegado M.G.M. (aquele do caso dos dois rapazes e do nisei que me agrediu, mas que ele fêz constar como tendo sido eu o agressor –  em cujo processo acabei sendo absolvido) .       Em razão disso o  Boletim de Ocorrência foi elaborado conforme as “informações” prestadas por Loide e pela mãe de Xuxa-   Local do desaparecimento - ..............Rua Taguá  330  Hora do fato: ...........................................     10,00  D o i s   homens armados ......... agressão a coronhadas                             Veículo não identificado               Sabedora, por intermédio da mãe de Xuxa, do que havia sido mencionado no B.O, e insatisfeita com isso, pois eu e meu(s) filho(s) não havíamos sido incriminados –– Loide e seu filho Leandro (aquele a quem eu oferecera as esfihas) foram ao Distrito Policial “espontaneamente” (ato não usual entre marginais e seus familiares, que tudo fazem para se esquivarem, e Loide o era). Mas isso tinha uma razão, um motivo – Loide precisava envolver-me a mim e a minha familia-. Só assim poderia estar cumprindo com sua obrigação de ajudar sua amiga Alexandra (adiante se provarão tais assertivas, com documentos oficiais obtidos em Juízo, como sentença judicial e outros).                      Loide   procurou   me   enredar  -   daí 
   COMEÇARAM AS ARBITRARIEDADES POLICIAIS
               E passamos a integrar, como muitos, o que se chama                  A S  V Í T I M A S   D O   S I S T E M A                   ==============================                  O Delegado A.C.R.L. mandou uma viatura da Polícia Militar me buscar. Eram quase vinte e três horas. Mesmo cansado atendi o “convite”, porém fui em meu próprio carro (um Comodoro 79, de cor marrom, também com problemas no motor). Os policiais diziam que eu era folgado, porque não quis ir com eles na viatura. Quando cheguei o Delegado Longo pediu minha cédula da OAB, guardou-a no bolso e me mandou para uma saleta. Pedí de volta e ele, rispidamente, disse – agora você é advogado porra nenhuma ! -. E saiu com a mãe de Xuxa. Quando ele voltou, já na  madrugada do dia 1º de fevereiro, eu fui ouvido em “Declarações”, respondendo a perguntas que ele me fazia. Perguntou-me onde eu estivera na noite de quinta-feira, dia 30 de janeiro, entre as 20,00 hs. e as 22,00 hs. – Respondi, como o fizera aos Policiais, naquela mesma tarde. Ao mencionar o restaurante chinês o Delegado ACRL perguntou-me se eu tinha alguma prova de que eu estivera lá. Claro, respondi. O Delegado  insistiu – quando eu tiver essa prova que eu lhe libero. As horas foram se passando e eu não podia deixar a saleta, vigiado por um policial civil. Quando o Delegado retornou e me disse que eu ia ficar, pedi para avisar minha mulher. Pedi a ela que entrasse em contato com o Dr. Paulo Jabur, advogado criminalista, muito meu amigo, para que desse um jeito na situação. Esse colega surgiu cerca de hora e meia depois, conversou com o Delegado ARCL e recebi minha cédula de volta, tendo sido liberado. Quando saíamos do Distrito passei a entender a trama que me estavam armando, pois vi entrarem na Delegacia aquela senhora que se dizia mãe de Xuxa, acompanhada de Loide, de Leandro, de uma menininha e daquela moça que havia ficado detida no Distrito Policial, cujo nome, mais tarde, fiquei sabendo ser NINA (amasiada com BRONCO, um dos dois envolvidos naquele caso do homicídio de José Ibiapina).          Loide e seu filho foram ouvidos pelo Delegado.       Como não tinham nada a esclarecer, mas já estavam melhor orientados, puderam fornecer alguns detalhes que incriminavam a mim e a meu filho.         Eu era mencionado como Florivaldo - (fato estranho, porque nem mesmo em minha casa eu era assim chamado, uma vez que eu não usava prenome, pois as pessoas o trocavam por Lorival ou intercalavam um "esse", ficando Florisvaldo, o que me aborrecia), quando, na verdade, eu usava como identificação, já havia muitos anos, apenas Dr. ALMEIDA (até bordado em minhas camisas), para os estranhos e Florí, em minha família.   Somente Alexandra conhecia meu prenome  FLORIVALDO, e foi esse o nome que ela passou para  Loide. Ninguém mais foi apontado. Porém estavam seguindo o B.O., no qual constavam = DOIS HOMENS ...         Quanto a meu filho, Loide devia ter se esquecido do prenome estranho que Alexandra lhe passara (germânico, porém com pronúncia aportuguesada). Por isso consta no depoimento (?) de Loide a expressão dúbia "Florivaldo e seu filho", informando que o mesmo era  ex-policial, porque elas pensavam assim, uma vez que não mais o viam fardado (ele havia deixado a farda, cursado Academia de Polícia e já era Investigador). E pensavam que ele era ex-policial inda mais porque Alexandra assim dizia, uma vez que ela tudo fizera para que ele fosse expulso da Polícia Militar. Como ele não o foi e sim transferiu-se para a Academia de Polícia, onde fez Curso e foi nomeado Investigador de Polícia, não mais usava farda.           Quando o Delegado perguntou-me sobre nossos carros respondi que meu filho possuía um Gol e eu , uma Caravan,  um Comodoro, um Fiat e um TL, que Alexandra, mediante fraude, adquirira de meu pai e que estava comigo, na qualidade de Depositário. Como o Delegado ficou sabendo que a Caravan estava com defeito ele fez constar que havíamos usado um Gol, de propriedade de meu filho. Alertei o Delegado que aquele carro estava na concessionária, mas ele me respondeu que era mera rotina (não percebi que ele estava querendo envolver meu filho) e pediu minha assinatura (rubriquei a folha, normalmente, sem qualquer coação).     

                 A POLÍCIA COMEÇA A FORJAR PROVAS

       No entanto e  apesar dessas diferenças existentes, o Delegado ACRL, demonstrando parcialidade e interesse em nos prejudicar, e em pretendendo derrubar nossos álibis (justos e naturais, existentes desde a hora em que aconteceram) alterou os fatos fazendo constar no “depoimento” de Loide e na “informação” de Leandro novos e diferentes dados:     1- Hora do desaparecimento ...............................  22,30 hs. (não mais 10,00 hs., como no Boletim de Ocorrência, nem 22,00 hs., como as primeiras informações de Loide,  pois eu apresentara documentos provando o álibi de minha presença no restaurante chinês, confirmando aquelas Declarações)


    2 - Local - rua Siqueira Campos (esquina da rua Taguá)

 

 (não mais rua Taguá 330, mas um local distante 180 m., conforme seria provado pela Polícia Técnica)


3 - Florivaldo e “seu filho”  (não mais “dois homens” armados,  


                                                 como no Boletim de Ocorrência)

 

  4 - Opala laranja (não mais um Gol nem uma Caravan cinza)

 

  5 - Agressão a coronhadas    (não havia...)

                               .-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-               O “depoimento” de Loide foi “assinado”  a “informação” de Leandro, , também foi “assinada apesar de ser ele menor impúbere e necessitar de assistência  -  que não poderia ser prestada por sua mãe, pois Loide era totalmente analfabeta)       Após sair do Distrito,  fui para minha casa, naquele sábado de madrugada. Estavam armando uma feira e presenciei BRONCO, dizendo impropérios e coisas como – te ferrei, velho safado – e dando chutes na porta de meu prédio (as marcas lá estão, até hoje). Não querendo qualquer contato físico com ele pedi a alguns feirantes que me ajudassem a tirá-lo de lá e subi para descansar, pois tinha mais um dia de labuta.                AUTOS DE RECONHECIMENTOS FORJADOS          Mais tarde fiquei sabendo que o Delegado, naquela noite de sexta-feira para sábado, também havia elaborado peça(s) importante(s) para o trabalho de incriminação de alguém – Auto(s) de Reconhecimento.            Porém o fez sem muito cuidado -  foi datilografado em papel impresso, com espaços em branco, com o preenchimento de um, no original e outro mera cópia a carbono - com as mesmas afirmações de Loide e de seu filho. Nessas  peças constavam meu nome (errado, pois lá consta Florisvaldo) e “seu filho”. Era óbvio que “seu filho” não estava presente. Caso contrário seu nome lá estaria. E mais – o Delegado não contava com qualquer pessoa que tivesse alguma semelhança conosco, os  reconhecendo(s),  daí mandou inserir os nomes de três pessoas que, pretensamente, teriam sido colocadas junto a mim e a “meu filho". Era uma inserção grosseira, feita naqueles  papéis”,  em assentada posterior, diversa daquela em que o(s) documento(s) foi (foram) elaborado(s).                     Porém essa  falsificação era por demais visível                   (e, posteriormente, foi provada por Laudo técnico)          havia desigualdade entre o nível das demais palavras e o nível daqueles nomes que foram acrescentados        havia desigualdade na cor da impressão, entre a datilografação primeira e a segunda, com aquela inserção                      nenhum de meus filhos sequer estava presente, caso contrário seu nome lá estaria constando                   os três nomes inseridos eram de policiais que não estavam presentes no Distrito, mas figuravam na escala do plantão que se iria iniciar na manhã daquele dia (2/2/92)     Essa fraude - tipificada como Falsidade Ideológica  -  (posteriormente demonstrada e provada por minucioso exame daquelesAutos”,  procedido pelo Escritório de Perícias Técnicas DEL PICCHIA, um dos melhores do Brasil),   foi notada pelo Delegado NSN. Titular do Distrito Policial, o que o levou a avocar e presidir o Inquérito, para elaborar novos Autos.
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